Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

17-07-08

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Locais Notáveis da Nazaré

Promontório do Sítio da Nazaré (***)

Igreja visigótica de São Gião (MN) (**)

Praia da Nazaré (*)

Serra da Pescaria e Praia do Salgado (**)

Praia do Norte (*)

Monte gábrico de São Bartolomeu/ São Brás/Monte Seano (*)

Panorama da Pederneira (*)

Outros locais com interesse turístico:

Pelourinho da Pederneira/tronco de conífera silificado /menir

Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso

Várzeas de Valado dos Frades

Duna da Aguieira

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Parque Natural da Serra da Estrela (***)

Este é o quinto artigo da série. Nas edições anteriores versámos os temas da Ecologia, Paisagem e Memória, Património e Turismo, Aldeias ou Aldeamentos, Política do Território, Programação Integrada e Rural e Urbano. Tentámos, em detrimento do jargão, aludir aos conceitos transversais à reflexão sobre o tema do planeamento territorial, urbano e arquitectónico. A perspectiva de um arquitecto ganhará sempre em ser confrontada com as demais áreas do saber e da cultura, em especial com a das ciências sociais e económicas, que nos ajudam a perceber quanto o espaço condiciona a sociedade que somos.
8. Arquitectura e Turismo
Sob o lema "Cidades verdes, um plano para o planeta!", a ONU exorta a população mundial a lutar por um meio ambiente mais planeado, limpo e saudável, e a promover acções políticas que contrariem a degradação dos ecossistemas. Alerta o mundo para a necessidade de sujeitar as políticas a um novo paradigma, que concilie o exponencial crescimento urbano com a qualidade de vida, propondo o aumento de eficiência na gestão corrente (energia, água, detritos sólidos, líquidos e gasosos, deslocações, etc.), rumo à sustentabilidade ambiental.
Porque todas estas questões ainda não têm aqui o grau de complexidade que atingiram noutros pontos do País e do Mundo, é imperioso que as autarquias do interior definam, antes de uma política de empréstimos bancários, uma política de arquitectura. Estejamos cientes de que, por força da demografia, o próximo período nesta região não será de expansão urbana, será antes de consolidação. Só um sério investimento na arquitectura quotidiana de qualidade poderá estancar a barbárie edificada e viária, proporcionar aos jovens o direito à habitação, essencial à emancipação, e qualificar o espaço público de todos os dias (ruas, praças e jardins), ao invés da disseminação irracional de recursos por loteamentos avulsos.
Apesar da história, é necessário promover o valor do projecto contemporâneo. Conservar significa tanto inventariar, estudar e recuperar como relacionar (com a paisagem, com a envolvente, com novos usos, etc.), interpretar e divulgar. No domínio da arquitectura e do urbanismo significa intervir fundamentadamente e, se necessário, demolir e transformar, com base em claros critérios teóricos e técnicos. A identidade programa-se e projecta-se, sem mimetismo, mas com rigor e poética. "As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor do seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas e as suas perspectivas enganosas", diz Italo Calvino.
Quanto ao turismo, seja para elites ou para as massas, depois do negócio do lazer restará a forma. A qualidade da arquitectura poderá ser, por si só, motor económico. Haja vontade de eliminar os maneirismos e de ser ambicioso e exigente com os programas, com a previsão do impacte ambiental, com o projecto das infraestruturas, dos edifícios e dos interstícios. Evitar a cenografia e a propaganda é um imperativo ético. Exceptuando alguns aglomerados castiços (Torre, Penhas da Saúde, Sabugueiro, etc.), a Serra da Estrela é ainda um dos poucos redutos naturais incólumes à devastação. Não a desencantem!

Por: Francisco Paiva *
* Arquitecto e Docente da UBI (ftapaiva@gmail.com)

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26-06-08

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Panorama da Torre Velha (Guarda) (MN) (*)

"Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.”

Fernando Pessoa- O livro do Desassossego. 29-3-1930

Aqui.

Sentado nestes degraus, à espera de Godot,à sombra desta sólida Torre Velha. Estou no ponto mais alto de todas as cidades portuguesas, mais precisamente a 1056 metros de cota.

A brisa suave embala remansosamente o corpo e a alma. Água (chuvisca) e vento são fortes motivos de revivescências interiores. É o espaço. É a noção do tempo. É a consciência do fim.

Horizontes largos de onde se abrange uma vasta região:a Norte a crista da Marofa e Pinhel; a Este identifica-se a tristonha faixa raiana, com as suas velhas praças de guerra de granito carcomido- Vilar Maior (*), Vila do Touro, Alfaiates, o castelo do Sabugal (*), o monte-ilha de Belmonte (**); aos nossos pés espraia-se a  Guarda, a sua parte medieval está em grande parte arrebatada pela mole imensa da Sé (**), que vista daqui é agigantada.

Esta vernácula torre é a mais antiga estrutura do sistema fortificado da cidade da Guarda e encontra-se isolada, no topo de maior elevação; aqui seria provavelmente o sul do centro medieval da povoação e era a torre de menagem da primitiva alcáçova românica, construída no século XIII - provavelmente mandada erguer por Rei Povoador.

É de secção pentagonal, irregular, construída em aparelho isódomo. A fachada principal integra portal  de lintel recto resultante de uma reformulação moderna, tem ainda um outro portal de elevado acesso em arco de volta perfeita.

Em boa hora o munícipio quer fazer da torre uma das salas de visita da cidade. Está-se a proceder a uma requalificação paisagística e arquitectónica do espaço; com construção de um centro de recepção de visitantes que fará uma ligação aos sítios arqueológicos do concelho e ao centro histórico da cidade.
Para além de uma zona para acolhimento dos turistas, o novo edifício também terá uma sala de exposição com vitrinas interactivas. Os três pisos do interior da Torre de Menagem também serão intervencionados.
A área circundante da Torre de Menagem também está a ser intervencionada no âmbito do mesmo projecto. O projecto de recuperação do recinto é da autoria da arquitecta Margarida Carvalho. Será criada "uma rede de percursos na paisagem" com miradouros, zonas de estadia, contemplação e repouso. Desde que conheço a Guarda sempre pensei num projecto similar. Bem haja aos seus mentores e como dizemos todos nós, “vale mais tarde que nunca”. 

Silêncio impassível...quietude. Agora fechamos os olhos e escutemos o clamor da cidade, com o o seu bulício de província; é o eco contínuo, por vezes entrecortado pelos gritos dos jovens da escola Básica 2,3 de Santa Clara- também eu, tal como eles, me julguei eterno; mas aqui observo, imerso no silêncio do meu mundo interior, dois adolescentes que se aproximam, namorados, mas talvez no futuro sejam algo aproximado ao casal; pedem-me que lhes tire uma fotografia. Agora a rapariga, tão feliz, como podemos ser quando nos sentimos enamorados, pergunta se aquele monte é o Jarmelo, sim é-local de lenda associado a Pedro e Inês. Acrescento que aquele outro é o Cabeço das Fráguas (*), famoso santuário pagão com uma inscrição da língua lusitana dedicado a várias divindades lusitanas (Trebaruna,Trebopala, Reve, Laebo e o Ícone Luminoso). Para oeste, atrás do parque eólico, está um pouco mais abaixo o Castro do Tintonolho. Bem, o rapaz começa aos bocejos, é melhor calar-me, despedem-se, não os censuro, é melhor namorar- o sentimento da minha eterna juventude a fenecer. A vida resume-se a um caminho pelo bsoque, onde, de vez enquando, debatemo-nos com bifurcações, nos quais temos de decidir o nosso destino. O que fazer? Nada...a não ser esperar! Peço a Iccona Loiminna uma boa decisão; ele(a) pode ser farol e luz para despertar a minha consciência efervesecente adormecida pela cor e ruído do transitório. 

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Sete Maravilhas da Natureza: Portugueses longe de finalistas
As quatro candidaturas portuguesas à eleição das Sete Maravilhas da Natureza ainda não conseguiram votos suficientes para entrar no grupo finalista, disse fonte ligada à iniciativa
 

Segundo a fonte, o Vale do Douro, na posição 141, é o melhor classificado nacional entre as 277 candidaturas de todo o mundo.

A candidatura salienta que o Douro é um dos maiores rios da Península Ibérica e assinala que o Vale do Douro possui um microclima que permite o cultivo das uvas com que se faz o «famoso Vinho do Porto».

A mais recente actualização da votação, que decorre através da Internet (www.new7wonders.com), indica que a segunda candidatura portuguesa melhor classificada é a das Ilhas Selvagens, na posição 237.

Seguem-se o Parque Nacional da Peneda-Gerês, que ocupa a posição 246, e a Ria de Aveiro, no lugar 250.

A lista dos candidatos é actualmente liderada pela Baía de Ha Long, no Vietname, seguindo-se a praia de Cox's Bazar, no Bangladesh, e o recife de Tubbataha, nas Filipinas.

A votação decorre até 31 de Dezembro, altura em que serão divulgados os 21 finalistas desta eleição, entre os quais serão eleitas as Sete Maravilhas da Natureza.

lista completa de candidatos integra 277 locais em todo o mundo, dos quais 57 na Europa, 56 na Ásia e 55 na América do Sul.

Os restantes encontram-se em África (48), na América do Norte (45) e na Oceânia (16).

Diário Digital / Lusa

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11-06-08

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Centro Histórico da Cidade da Guarda (**)

Ao longo do tempo a cidade da Guarda tem sido menosprezada na sua beleza: não quero aqui escalpelizar com rigor a razão do erro, mas à desdita vou tentar convencer-vos do contrário; é o F de feia que deve ser substituído por F de formosa.

Mas sei que é cidade de uma beleza muito peculiar, porque para além da evidência da Sé (**), esconde apontamentos de vária ordem que deleita quem gosta de arte e de história, mas que escapa aos olhares desantento; vejamos quais, mas antes comecemos do início.

Da fundação da cidade sabe-se muito pouco e algumas afirmações peremptórias de estudiosos locais, não deverão passar de meras fantasias que devem ser rapidamente banidas das brochuras turísticas - no mínimo é duvidoso a existência de um povoado protohistórico ou romano importante no sector correspondente ao seu centro histórico.

Certo é que a área do bairro de Castelos Velhos terá sido ocupada na Idade do Ferro, na época romana e no período visigótico. Os Castelos Velhos parecem articular-se com os importantes vestígios romanos da Póvoa do Mileu (ver post anterior da igreja do Mileu (*)).

Anterior ao foral atribuído por D. Sancho I à Guarda já deveria existir um povoado. A localidade poderá ter sido fundada por um Dominus Milelmius, pai de um D. Estêvão que, em 1181, dotou a igreja do mosteiro de Caridad, perto de Ciudad Rodrigo.

É a partir do foral atribuído em 1199 que a Guarda passa a ser povoação de alguma importância, sendo pólo importante de toda a região. Deve esse privilégio real a Dom Sancho I (como lhe assenta bem o cognome de Povoador) que para aí transfere a diocese egitanense (que corresponde à actual aldeia histórica de Idanha à Velha (**)).

Datam do século XIII o início da construção da cerca defensiva e do castelo da Guarda. O desenho da muralha, irregular, com planta oblonga, conformou-se a topografia acidentada, funcionando até ao século XIX como limite norte, oeste e, parcialmente, sul da cidade. Os eixos medievais, à maneira de cardus e decumanos de geomância romana (embora não tenha sido encontrado até à data qualquer vestígio romano no centro histórico), eram estruturantes e foram constituídos pela Rua Direita (actuais ruas Francisco de Passos e Rua Dom Miguel de Aragão), ligando as portas extremas, Porta Covilhã ou Porta Nova à Porta dos Curros (hoje inexistentes), e pela sua perpendicular, unindo à Porta d`El Rei, à Porta de São Vicente.

A grande centralidade da cidade medieval situava-se em redor da Sé Catedral (**) (começada na última década do século XIV e finda quase dois séculos depois) com a magnífica Praça Velha ou Praça de Camões (*). São Vicente (incluindo a judiaria -talvez a mais bem preservada da Península Ibérica - apesar da sua ruína evidente concentrada na rua do Amparo, e Santa Maria da Vitória (igreja hoje desaparecida) eram as suas principais subunidades em redor dos respectivos templos. Durante o século XIX (por razões várias que não vale a pena agora dissecar) foram demolidas as duas portas, parte do castelo e cerca de 40% da cerca medieval.

Vamos então, de trás para a frente como convém, evocar os atractivos deste belo burgo:

a)       Tem um dos melhores e mais bem preservados centros medievais portugueses, parcialmente muralhado, com três entradas preservadas (com destaque para a Torre e tripla porta dos Ferreiros). Tem ainda um rol de edifícios civis com apontamentos renascentistas e maneiristas com destaque para a janela manuelina-renascentista, na Rua Francisco Passos.

b)       Detêm uma magnífica Judiaria velha; ao todo são 89 os imóveis com marcas mágico religiosas nos umbrais das vetustas habitações dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.

c)       Tem uma grandiosa catedral (**) que incorpora elementos góticos, manuelinos, renascentistas e maneiristas.

d)       A sobriedade do granito interligou-se bem com a parcimónia castrante do Concílio de Trento, tendo como exemplo máximo o antigo paço episcopal e seminário (hoje Museu Regional da Guarda) ou ainda o belo Paço dos Alarcões.

e)       Tem alguns edifícios barrocos com qualidade, com destaque para a Igreja da Misericórdia, a Igreja de São Vicente e para o espectacular chafariz de Santo André (`*).

f)         Associa o seu nome ao extraordinário homem que foi o Dr. Sousa Martins, que incentivou a construção do sanatório e o seu parque frondoso que tem o seu nome.

g)       E ainda recentemente, em 2005, viu inaugurar o excelente Teatro Municipal da Guarda pelo arquitecto egitanense Carlos Veloso.

Urbe de singular beleza, com uma miríade de pormenores estéticos, talhados em duro granito pardo, que ensombram o mistério das suas ruelas – sombra e humidade; e com as suas vistas desafogadas por se situar em esporão terminal da Serra da Estrela – claridade e sol. Regeneremos a Guarda nos nossos corações- passeemos.

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Vila Viçosa (**) poderá ser Património Mundial da Humanidade

Licínio Lampreia, historiador e responsável dos serviços culturais do município, adiantou à agência Lusa que o "Documento de Inclusão de Vila Viçosa na Lista Indicativa dos Bens Portugueses Candidatos a Património Mundial" foi já entregue, reformulado, na Comissão Nacional da UNESCO.

O responsável, que integra a Comissão de Candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial, foi o coordenador do documento que o município local já editou em livro.

Vila Viçosa pretende candidatar o conjunto urbano da localidade, englobando o património arquitectónico e artístico e a sua envolvente ambiental e paisagística, ao estatuto de Património Mundial, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A candidatura, cujo processo arrancou em Fevereiro de 2002, integra-se na categoria de património cultural com base no importante património histórico, monumental e cultural da localidade, conhecida por "vila museu".

De acordo com o mesmo historiador, o novo documento constitui "um requisito importante e indispensável para o desenvolvimento da candidatura".

Segundo Licínio Lampreia, a primeira versão do documento de inclusão na lista de bens a candidatar tinha sido entregue há mais de três anos.

"A reformulação deste documento foi baseada nos estudos e na investigação, entretanto realizados, tendo sido possível fundamentar melhor os critérios de valor universal e excepcional de Vila Viçosa", explicou.

O responsável adiantou que o município está a aguardar a apreciação do documento pela Comissão Nacional da UNESCO.

O presidente do município de Vila Viçosa, Manuel Condenado, considerou que a apresentação do documento permite "caminhar para uma fase de maior definição e objectividade do processo de candidatura, sobretudo no que concerne aos estudos e trabalhos orientados para a demonstração do valor universal e excepcional do património calipolense".

O autarca afirmou que estão lançadas as bases para aprofundar novas linhas de investigação e encetar futuras iniciativas nesta área.

Um ponto forte deste processo, segundo o autarca, tem a ver com os "influxos benéficos de uma promoção nacional e internacional sem precedentes".

Manuel Condenado destacou ainda o "crescente interesse" acerca do valor singular dos símbolos mais representativos do património local, "constituindo uma mais-valia para Vila Viçosa".

"Estamos convictos de que o processo de candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial tem contribuído decisivamente para fortalecer o compromisso e a responsabilidade da comunidade local no que respeita à conservação, valorização, divulgação e fruição do seu rico e diversificado património", observou. O Paço Ducal de Vila Viçosa integrou, em 2007, a lista dos 21 monumentos candidatos à eleição das Sete Maravilhas de Portugal. O Palácio Ducal, castelo, pelourinho, igreja de Nossa Senhora da Conceição (Padroeira de Portugal) e os antigos conventos dos Agostinhos e das Chagas são alguns dos monumentos da localidade.Vila Viçosa dispõe ainda de diversos museus, nomeadamente de armaria, arte sacra, arqueologia, caça e carruagens, além do Arquivo Histórico da Casa de Bragança.

Podem passar a 14 os bens nacionais Património Mundial-Pégadas de Dinossaúrio

Portugal e Espanha entregaram no Centro do Património Mundial da Unesco a candidatura conjunta «Icnitos de Dinossáurios da Península Ibérica». Uma candidatura transnacional que "será apreciada durante o próximo ano, tendo fortes possibilidades de dar entrada na lista de bens classificados em 2010", disse ao DN Manuela Galhardo, secretária-executiva da da Comissão Nacional da Unesco.
Caso esta candidatura saia realmente vencedora, passarão a ser 14 os sítios e bens portugueses reconhecidos pela Unesco como Património Mundial. A última candidatura com sucesso data de 2004: A Paisagem Cultural da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores.
A preparação da parte portuguesa da actual candidatura foi realizada em 2007 sob a coordenação do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, em parceria com as autoridades espanholas, após ter sido aceite na Lista Indicativa de Bens Portugueses depositada junto da Unesco em 2004. A candidatura luso-espanhola foi formalizada a 31 de Janeiro deste ano. Nela foram incluídas três jazidas do Jurássico: Pedreira do Galinha e Vale de Meios, ambas situadas no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, e Pedra da Mua, situada no Parque Natural da Arrábida.
As jazidas com pegadas de dinossáurios constituem locais de excepcional interesse geológico e paleontológico e têm valor universal do ponto de vista científico, didáctico e patrimonial, pois constituem relevantes vestígios de locomoção de dinossáurios. Além disso, contribuem para o conhecimento da evolução dos dinossáurios desde tempos mais recuados da história deste grupo, da sua locomoção e do seu comportamento.
Manuela Galhardo salienta a importância de começarem a surgir candidaturas de bens naturais em vez de culturais, "uma vez que existe um desequilíbrio grande" nesta matéria. E apela aos responsáveis pela gestão dos bens para que se organizem de forma a conseguirem candidaturas transnacionais, "com mais possibilidades de vitória".
Na Lista Indicativa de Bens Portugueses constam outras 11 putativas candidaturas, "sobre os quais ainda não há perspectivas de quando alguma se poderá concretizar", disse Manuela Galhardo. No entanto, José Aguiar, presidente do ICOMOS - Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, considera que poderão ser formalizadas, nos próximos anos, as candidaturas das Fortificações de Elvas e da Universidade de Coimbra, "ambas muito fortes".
Portugal é dos países com mais bens classificados como Património Mundial pela Unesco entre os 182 Estados que fazem parte da Convenção para a Protecção do Património Mundial.

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04-06-08

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Chafariz de Santo André (ou da Alameda) (Guarda) (IIP) (*)

“...mas, antes que o seu corpo mergulhasse inteiramente, os golfinhos precipitaram-se e levantaram-no, enchendo-o de, de início de inquietação, incerteza e agitação. Mas a facilidade...o grande número...o ar benevolente, a rapidez dos golfinhos...fizessem com que ele sentisse, segundo disse, não o medo de morrer, mas o desejo de viver, a ambição de ser salvo, para aparecer como um favorito dos deuses e receber deles uma glória inalterável”.

Banquete dos Sete Sábios- Plutarco, algures entre 75 e 120 d.C. 

Este magnífico chafariz granítico (no estilo barroco é dos mais belos que conheço) encontra-se actualmente situado na Alameda de Santo André na cidade da Guarda; é também conhecido como chafariz da família Refoios Saraiva, uma vez que, originalmente, pertencia a uma quinta que esta família possuía na aldeia da Vela, tendo sido transportado para o local onde se encontra em 1989; as armas da família são bem visíveis na zona superior do alçado, sobre uma concha e encimado pela figura de um anjo e ladeado por duas representações zoomórficas.

O tanque central, curvilíneo, exibe um mascarão como bica central, enquadrado por golfinhos- se não o são imagino-os com alguma boa vontade; se têm um ar feroz, fecho os olhos e imagino-os como delfins, com o seu ar bonacheirão e benevolente.

Três mascarões voltam a surgir no alçado, alinhados horizontalmente, cada um prolongando-se no com grande acentuação vertical das suas caudas. Os elementos decorativos que caracterizam este monumento de expressão barroca, articula representações religiosas e zoomórficas, numa dupla iconografia alusiva à família Refóios Saraiva e à água.

Reparo novamente nestes cetáceos ?, animais que tanto gosto. Nas brumas da memória, encontro a seguinte lenda grega: um conjunto de corsários depois de agrilhoarem Dioniso ao mastro do seu navio, caíram ao mar e foram transformados em golfinhos. Este adorável animal é assim, desde a antiga Grécia, um forte símbolo ligado às águas e a regenerescência. É também sinal de adivinhação, da sabedoria, da bondade, da prudência, tendo ainda carga psicompômpica.

A magnífica narrativa de Plutarco- os Sete Sábios, que se arreigou em mim desde a infância tardia (imaginava-me Aríon na infância e Quixote na adolescência), indica a passagem da excitação e dos terrores imaginativos para a serenidade da luz espiritual e da contemplação, pela intervenção da bondade, por intermédio do mergulho salvador e do ar benfazejo dos delfins. Percebem-se aqui as três etapas da evolução espiritual: predominância da emotividade e da imaginação; intervenção da bondade, do amor ou da devoção; e por fim, a iluminação na glória da paz interior- capaz de nos fazer aquietar quando tudo (ou quase tudo) nos aniquila. Talvez com os monstros seja ingénuo, ou mesmo cego e neles consiga ver bondade e prudência. 

Desfaçamos este devaneio verborreico e voltemos ao chafariz: com o seu bom enquadramento urbanístico, o seu forte cariz cenográfico e alegórico; vejamos agora a finura dos degraus que antecedem o tanque, os bancos e as elegantes mesas laterais (aqui rascunho algumas notas que me vão servir para este post), bem como os muretes rematados por pináculos piramidais.

Curioso é saber que os meus amigos egitanenses, sabem da sua existência, mas ignoram a jóia barroca que aí tem...e aqui sinto o apelo do mar que nos reclama, tão longe nas duras serranias desta Beira amena e tristonha, afago os hipotéticos golfinhos ou monstros marinhos- decida o leitor quando aqui vier.

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Castelo de Penas Roias (Mogadouro) (**) exige recuperação
O castelo de origem medieval é o cartão de visita da aldeia de Penas Roias, no concelho de Mogadouro. Este monumento, classificado como Imóvel de Interesse Nacional, foi erguido em 1166, a mando de D. Afonso Henriques, para defesa do povoado.
Os anos foram passando e a fortificação apresenta sinais evidentes de degradação. Mesmo assim, ainda há muita gente a deslocar-se a Penas Roias para apreciar de perto a imponência do castelo.
Na óptica da população, este é o monumento mais importante da localidade, pelo que devia ser preservado mantendo a traça original.
“O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) colocou uma placa a anunciar uma intervenção, que ainda não saiu do papel. Se tirassem a placa, aquilo que foi feito passava completamente despercebido”, lamenta o presidente da Junta de Freguesia de Penas Roias, José Joaquim Moura.
No local encontramos uns degraus que dão acesso à fortificação, bem como uma placa de identificação do monumento. A vegetação vai trepando as frágeis paredes da torre de menagem, já que a torre secundária integrada nas muralhas, ruiu há cerca de quatro anos.
Ao que foi possível apurar, o IGESPAR pretende intervir em Penas Roias, após a conclusão dos trabalhos de restauro do castelo de Mogadouro, que se encontram em curso.
A poucos metros do castelo destaca-se, ainda, a Fraga da Letra, que preserva pinturas rupestres, possivelmente gravadas na pedra com tinta vegetal. Fonte Nordeste

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01-06-08

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Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSt. António (**)

“Desse belo mirante que é o castelo de Castro Marim (**), pode admirar-se o curioso reticulado da paisagem, misto de estuário, sapais, corpos de água salobra, salinas, pastagens, charcos, esteios e extensões sem vegetação. Uma geometria de terras e águas a que o espelho do salgado confere reflexos imprevistos. Actualmente, salinicultura, piscicultura, agricultura e pesca repartem entre si o essencial da exploração dos recursos naturais.
A Reserva Natural confunde-se com o sapal que se estende ao longo do Guadiana, entre Castro Marim e Vila Real de Santo António, área plana de cotas baixas, sulcada por uma rede de esteiros que asseguram a drenagem e se abrem à água salgada. O verde monótono dominante alinda-se na primavera com o vermelho com que o Mesembryanthemum nodiflorum cobre os taludes das salinas. As zonas mais elevadas possuem manchas de maquis mediterrânico.
Os esteiros são local privilegiado para a reprodução de peixes e crustáceos. Castro Marim serve de habitat ou simples refúgio a numerosa população de aves aquáticas, nomeadamente o Perna-longa e o Alfaiate. A Cegonha-branca sobressai pelo número de ninhos ocupados. Presentes também aves estivais, caso do Flamingo e da Andorinha-do-mar-anã, e invernantes, como o Maçarico-de-bico-direito e o Pilrito-comum.
Nas dunas litorais próximas regista-se a ocorrência do Camaleão, observável em certos troços da faixa litoral algarvia e até nas ilhas-barreira da Ria Formosa”.1

“Esta reserva Natural é uma das mais importantes zonas húmidas do país. Constitui um habitat fundamental para milhares de aves aquáticas que encontram aqui boas condições de nidificação e invernada, justificando em pleno o seu estatuto de zona húmida de importância internacional que lhe é conferido pela Convenção de Ramsar.
O Sapal de Castro Marim destaca-se, ainda, como local de abrigo e reprodução para numerosas espécies de peixes, moluscos e crustáceos, funcionando como um viveiro natural. Para além da zona húmida que abrange cerca de 66% dos 2089 ha de superfície da área protegida, esta integra ainda zonas secas de uso agrícola e zonas de cota mais elevada que correspondem já às encostas da serra algarvia, com espécies animais e vegetais próprias.
É pois na variedade de biótopos existentes que reside a riqueza desta área protegida, tão atraente quanto sensível a qualquer intervenção humana mal conduzida» 2

“As salinas tradicionais são constituídas por viveiros e marinhas de pequenas dimensões, com grande diversidade no seu traçado, o que as torna autênticos labirintos. A água percorre um trajecto de tanques compartimentados desde o esteiro de abastecimento até aos "talhos" (pequenas quadrículas onde se forma o sal), aquecendo e evaporando, progressivamente, ao longo do percurso.
A temporada do sal tem início na Primavera com a limpeza das marinhas. Em meados de Junho estas cobrem-se de branco e a primeira raza está pronta a ser colhida. Este sal encontra-se certificado e deve a sua qualidade às características naturais da área e à utilização de técnicas artesanais”.3

Notas minhas: É magnífico passar uns dias, principalmente na primavera alojado na Casa do Seixo- casa muito simples que se pode alugar, e de onde se obtém um magnífico panorama.

A sua flor de sal é conhecida internacionalmente.

Dispõe de um magnífico Centro de Interpretação para acolhimento e orientação dos visitantes. A partir daqui poderá dar passeios devidamente sinalizados.

A Ponte Internacional sobre o rio Guadiana, construída entre 1985 e 1991, veio valorizar muito a região, e a minha opinião pessoal é de que forma um belo conjunto com o sapal.

A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António é uma das mais importantes zonas húmidas do país e foi a primeira Reserva Natural criada em Portugal; classificada pelo Dec. N.º 165/75.

Fontes de Informação:

1) Site do ICN.  (2) Xavier, Ana- Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, ed. Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, Junho de 1998. 3) Folheto da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António- Passear na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António

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87 milhões para o Parque Natural da Ria Formosa (***)

Mais de 87 milhões de euros vão ser investidos na zona da ria Formosa, num conjunto de projectos coordenados por uma sociedade de capitais públicos com participação do Estado e dos municípios de Loulé, Faro, Olhão e Tavira.

Segundo fonte do Ministério do Ambiente, o Plano de Intervenção desta área de paisagem protegida abrange

19.245 hectares, com 48 quilómetrosde frente costeira e 57 quilómetrosde frente de ria, num total de 12 praias.
Com esta intervenção, o Governo pretende preservar o património ambiental e paisagístico da zona, qualificar a zona ribeirinha e valorizar e potenciar os recursos da Ria Formosa como factor de competitividade.
A área de intervenção também abrange uma parte do município de Vila Real de Santo António, apesar desta autarquia não fazer parte da sociedade anónima de capitais públicos a constituir.
O Plano de Intervenção, a elaborar pela Sociedade de Requalificação e Valorização da Ria Formosa SA, inclui medidas correctivas da erosão, a recuperação de lagoas e dunas e a requalificação das infra-estruturas portuárias de acostagem.
Está igualmente prevista a realização de estudos e planos que valorizem a mobilidade e ordenamento de circulação na ria, potenciem as actividades económicas dependentes dos seus recursos e a promoção deste território.
O valor do investimento preliminar para o Plano de Intervenção a executar até 2012 é da ordem dos 87,5 milhões de euros, 42 milhões dos quais correspondem a financiamento comunitário.
O financiamento nacional (45,4 milhões) é repartido entre o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional (14,1 milhões), as autarquias envolvidas (8,5 milhões) e entidades como o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos e o Ministério da Economia e Inovação (13,7 milhões no global). Fonte JN

Quinta das Lágrimas (IIP) (*)-Coimbra tem o primeiro jardim medieval português

Um mundo de jardins, claustros, canais e fontes. Ao conforto dos seus quartos e salas alia-se um passado histórico e uma lenda de amor que se perde no tempo. A Quinta das Lágrimas, lugar dos amores de Pedro e Inês, continua a ser um meio ainda a descoberto meio enterrado.
Natureza, lendas, história, elegância, experiências. A essência da Quinta das Lágrimas perde-se no tempo. Mais que um retiro de conforto, o palácio do século XVIII e os jardins continuam a deixar marcas na história. O primeiro jardim medieval totalmente reconstruído em Portugal é hoje uma realidade. A obra é da autoria da arquitecta paisagista Cristina Castel Braço que teve como fonte de inspiração iluminuras, tapeçarias e literatura da época. Foram mais de dois anos de estudos e de pesquisas. Partindo do Cano dos Amores, mandado construir pela Rainha Santa Isabel, há quase sete séculos, para levar água desde a fonte dos Amores até ao Mosteiro de Santa Clara, a arquitecta paisagista conseguiu replantar na Quinta das Lágrimas um novo jardim. O objectivo: “chamar a atenção para a preservação destes espaços”, disse ao DIÁRIO AS BEIRAS. Durante séculos, o local foi um santuário privado de família por onde passaram Reis e Imperadores. Hoje, a Quinta das Lágrimas está aberta a todos quantos apreciem arte. Os 12 hectares de jardins botânicos não deixam ninguém indiferente. O Outono está aí e os verdes dão lugar a uma deslumbrante paleta em tons de terra, à medida que as folhas vão mudando de cor. O cenário da sorte e do infortúnio dos amores de Pedro e Inês convida à descoberta do jardim, novo na organização do espaço e nas plantas. “Tudo exigiu um estudo cuidado das estruturas existentes. As fontes e canais, tanques e lagos foram analisados ao pormenor tendo em conta toda a informação histórica documentada “, explica a arquitecta paisagista, professora e presidente da Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos.
Turismo fonte de vida
Um jardim histórico é constituído por elementos hortícolas, e portanto vivos, o que significa a sua “perenidade e necessidade de manutenção e renovação”. Para as lágrimas foram escolhidas 50 espécies de plantas que se utilizavam na Idade Média, “e que surgem pintadas nos livros e descritas nas listas de plantas dos conventos, dos hortos de plantas medicinais e hortas”. Salsas, coentros, abóboras, violetas, lírios e açucenas. Tudo isto pode ser visto no local. A ideia que norteou a intervenção de Cristina Castel Branco foi “recriar um ambiente de clausura, de bem-estar e de grande simplicidade semelhante ao ambiente dos jardins medievais”. Dentro do espaço de contornos irregulares, aliás uma marca que a arquitecta diz ser característica dos jardins na idade média, surgem rosas canteiros de plantas hortícolas, aromáticas e medicinais e morangos ainda meio escondidos. No entanto, como esclarece a arquitecta, “ um jardim medieval é sobretudo um jardim para ir, vir e estar”. O conceito é fácil de explicar. Segundo o que o DIÁRIO AS BEIRAS conseguiu apurar os jardins históricos eram sobretudo lugares de recreio, ócio de bem-estar. Desde sempre e tendo em conta dados históricos o Jardim da Quinta das Lágrimas foi sempre um “local para estar”. O que “fizemos foi recriar tudo isto pouco a pouco”, refere Cristina Castel Branco. Que como arquitecta paisagista afirma que o seu grande objectivo é “criar espaços confortáveis para as pessoas”. Porém, nem tudo é fácil. A arquitecta lamenta, no entanto, a falta de sensibilidade do poder político para a defesa do património. Atitude que se manifesta na não existência de legislação para protecção e classificação dos jardins. De acordo com as estatísticas o turismo paisagístico tem cada vez mais peso no panorama internacional. França, Itália, Polónia e Hungria são alguns dos países europeus que já começaram a tirar vantagens dessa área. Em Portugal a legislação continua escassa na defesa dos jardins, apesar de um jardim histórico ser considerado uma composição de interesse público.
Preservação com a Associação dos Jardins Históricos
O jardim torna-se assim “uma concentração artística muito importante”. Num passado medieval já distante havia música e canto. Namorava-se, escrevia-se, recitava-se poesia. Na época, “os jardins eram salas de visita”, afirma Cristina Castel Branco. Mas “num jardim histórico não pode haver desarmonias. O importante é dar ao visitante a noção do tempo que passou”.
Tudo isto se aplica ao jardim histórico da Quinta das Lágrimas, um espaço tido como “notável” por quem conhece. Aqui coabita o romântico e o gótico, o exótico e o medieval. A Associação dos Jardins Históricos é ainda recente. Criada por Cristina Castel Branco, há cinco anos, o seu principal objectivo é preservar os jardins históricos. A associação tem vindo desde então a ajudar os proprietários que se inscreveram, garantindo assim a sua abertura e divulgação. A associação conseguiu fazer uma candidatura colectiva a Bruxelas. Doze jardins preparam-se agora para receber os fundos europeus. A ideia é criar hábitos, organizar-se os diferentes espaços, pois como frisa Cristina Castel Branco “os jardins históricos têm regras”. Com a aplicação de horários mais alargados e com explicação dos percursos vão-se criando novos hábitos. “Há aqui uma procura muito grande”, refere com orgulho a arquitecta, que com o fim da primeira fase do projecto se prepara para aparte mais dura: a mata. Subir pelo bosque acima ainda é complicado. Os trabalhos já começaram mas ainda há muito para fazer. Caminhos por compor e abrir, muros a reconstruir. Tudo para que o objectivo final seja atingido: fazer percursos pela mata.
Um local com diferentes conceitos
A tranquilidade e a simplicidade unem-se num único local. Seja para uma festa íntima ou para um evento de gala, a Quinta das Lágrimas tem tudo para criar memórias inesquecíveis. O jardim tem capacidade para mais de 400 pessoas. A essência mantém-se. Tal como na idade média hoje realizam-se muitos casamentos, baptizados e diferentes acontecimentos. Cristina Castel Branco chama a atenção para o chamado “caminho-da-noiva”, onde o cheiro forte a jasmim não deixa ninguém indiferente. Este faz a ligação com a tenda onde decorrem grande parte dos eventos. Árvores tão variadas como figueiras da Austrália, canforeiras, plátanos, sequóias, palmeiras, entre centenas de outras marcam o local. As tradições populares dizem que o fantasma de Inês ainda percorre o jardim, eternamente em busca de Pedro. Mas o Jardim da Quinta das Lágrimas ainda tem outros segredos a descobrir. Novos projectos estão a ser pensados e a seu tempo “serão revelados”.

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30-05-08

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Praia/Ilha de Cabanas (Tavira) (**)

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Neste quarto, em Coimbra, nesta chuvosa primavera, anseio a liberdade proporcionada pelas ilhas barreira do Parque Natural da Ria Formosa. Qualquer uma serve - mas como é óbvio, os leitores conhecedores da minha personalidade e da região, sabem que prefiro a Deserta (Barreta). Nela gosto de me sentir como Santo António no seu sermão aos peixes.

Cabanas era uma antiga aldeia de pescadores de atum e está agora totalmente virada para o turismo, mas apesar disso ainda é agradável. Da marginal, paralela à Ria, e das suas várias esplanadas apreciam-se os barcos fundeados que guardam as armadilhas para a pesca do polvo e as redes da pesca artesanal do tresmalho, arte antiga de pesca já conhecida no século XVII. Muitas destas embarcações já abandonadas, oferecem uma curiosa paisagem na baixa-mar.

Quem gosta de património histórico pode visitar em Conceição de Tavira a Igreja da Nossa Senhora da Conceição com o seu bonito portal gótico-manuelino ou o forte da Conceição em situação dominante sobre a ria, construído no século XVII, no reinado de João IV, no contexto das defesas da costa impostas pela Guerra da Restauração, para proteger a barra aqui existente e é hoje uma unidade hoteleira de turismo sustentável amiga do ambiente.

A ilha de Cabanas é a mais pequena das ilhas do Parque Natural; por vezes conseguimos atravessar a ria a pé na maré baixa, ou então temos que alugar pequenas canoas disponibilizadas pelos pescadores. Chegamos então a uma maravilhosa língua de areia, de sedimentos finos, limpos, com águas serenas, cálidas e transparentes, e basta caminhar 10/15 minutos para ficarmos sós, no paraíso - a poente está perto a barra da Ilha de Tavira, no sítio das quatro água – umas dezena de braçadas basta para lá chegarmos; e a nascente estamos, a pouco mais de uma dezena de metros da barra da ínsua de Cacela. Ainda existem sítios assim no Algarve. “Aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade”.

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VILA VELHA DE RÓDÃO – Autarquia aposta no turismo

Portas de Ródão (**)-Castelo vai ser requalificado

A requalificação e a valorização da zona envolvente ao Castelo de Ródão, assim como a capela ali existente, são uma das apostas da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão.

As obras de requalificação da envolvente do castelo deverão estar concluídas em breve. “Com esta requalificação, pretendemos atrair mais turistas à zona do castelo, local onde podem observar uma paisagem única, com destaque para o geomonumento das Portas de Ródão, associado ao rio Tejo”, explica ao DIÁRIO AS BEIRAS Maria do Carmo Sequeira, presidente da autarquia rodense,
A autarca aproveita, aliás, para apelar aos turistas para que visitem com mais insistência as terras de Ródão. Aqui, para além do seu majestoso castelo, poderão observar uma grande actividade relacionada com a fauna, com várias espécies de aves, como o grifo. “Temos coisas muito belas que só a natureza pode oferecer, e que as pessoas que nos visitam poderão desfrutar através de um passeio de barco, onde também podem apreciar a montante a arte rupestre, e a jusante as belas Portas de Ródão”.

Sobre a Reclassificação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova-Coimbra (**)

Catarina Martins Militante do Bloco , de Esquerda
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova em Coimbra, monumento nacional, tem vindo a ser alvo de um processo de reclassificação e de redefinição da Zona Especial de Protecção (ZEP), o qual mereceu já a aprovação do Conselho Consultivo do ex-IPPAR, aguardando publicação em Diário da República.
A reclassificação proposta suscita sérias preocupações, as quais deviam mobilizar as autoridades competentes e as forças vivas da cidade, no sentido de corrigirem um processo que ainda é reversível e que a Câmara tenta, à viva força, concluir.
É certo que há aspectos do processo de reclassificação e de redefinição da ZEP que saudamos como positivos, nomeadamente a inclusão de todo o conjunto de Santa Clara-a-Nova na classificação como monumento nacional; a fusão das ZEPs de Santa Clara-a--Nova e Santa Clara-a-Velha e a grande ampliação da ZEP.
Contudo, no mesmo processo, verifica-se que cerca de 30 000 m2 da vizinhança próxima do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova perderam o estatuto 'non aedificandi'. Sensivelmente dois terços destes pertencem à Cerca do Mosteiro, ou seja, fazem parte do conjunto patrimonial que se diz querer valorizar. A diminuição acentuada da zona 'non aedificandi' em torno do mosteiro abre à construção uma extensa área de terrenos dentro da Cerca e nas zonas limítrofes, tornando-a apetecível aos interesses da especulação imobiliária e da construção, aos quais a Câmara de Coimbra não é impermeável, como casos recentes têm sobejamente demonstrado. Sê-lo--á o IPAAR (ou a entidade que o substituir) quando da necessária emissão de pareceres?
O processo de reclassificação e de redefinição das ZEP é despoletado pelo executivo camarário no âmbito da revisão do PDM e devido à intenção de construção de um Auditório no Convento de São Francisco. Cobre ainda a necessidade de redefinição da zona 'non aedificandi' motivada pela construção do museu em Santa Clara-a-Velha. Esta informação contraria as afirmações recentes do Vereador João Rebelo de que a Câmara nada teria a ver com o assunto. Na realidade, o texto da proposta de reclassificação pressupõe uma concertação de interesses entre a autarquia e o IPPAR, alguns deles legítimos, outros questionáveis. Note-se que, em relação à classificação anterior, menos de 500 m2 de implantação do Auditório em S. Franciscoteriam de perder estatuto 'non aedificandi', para que a sua construção fosse possível.
A área que se abre à construção, dentro e fora da Cerca, situa-se em particular, a Norte e a Noroeste do Mosteiro de Santa  Clara-a-Nova, e na zona confinante com a Avenida da Guarda Inglesa, tendo a ver, possivelmente, com interesses do ramo do imobiliário e da construção. Esta área possui extensão suficiente para afogar em edifícios grande parte do mosteiro, o que constitui um erro urbanístico descomunal e um verdadeiro atentado ao património monumental da cidade.
A valorização do conjunto patrimonial de Santa Clara a Nova devia ser garantida por um estatuto 'non aedificandi' aplicado ao limite de toda a Cerca. A sua redefinição como ZEP não constitui uma protecção adequada e suficiente. Para além disso, a necessidade eventual de construção de um equipamento excepcional de reconhecido interesse público poderia passar por uma solicitação ao Conselho de Ministros, em face de um projecto concreto.
Obrigado Catarina pela cedência do texto.

Os flamingos do Mondego

António Martins, Biólogo
Os flamingos são aves pouco comuns em Portugal. Inconfundível pela plumagem branco-rósea e um formato de bico cuja ponta está virada para baixo, esta espécie tem como habitat as zonas estuárinas. O Estuário do Tejo foi durante muitos anos o limite Norte da distribuição da espécie em Portugal. No entanto, recentemente, começaram a ser observados bandos de muitos flamingos na zona estuarina do Mondego.
Esta invulgar ocorrência é de tal forma notável que os flamingos passaram a ser protagonistas de uma campanha para a promoção do turismo na Figueira da Foz, associada à visitação da Ilha da Murraceira e do Estuário do Mondego.
As espécies, os ecossistemas e as paisagens são o referencial para o desenvolvimento de actividades de turismo da natureza, que surge identificado no Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT) como um dos principais produtos turísticos a desenvolver nos próximos anos na região Centro.
O forte potencial de crescimento para a próxima década, o combate à sazonalidade gerada pelos produtos turísticos tradicionais como o Sol e praia e as mais-valias que podem resultar directamente para as populações locais, são algumas das características desta actividade, que, segundo dados de 2006, já representa 6% das motivações primárias dos turistas que nos visitam. No entanto, apesar do potencial natural do centro de Portugal estar envolto em serranias e paisagens de sentir único, áreas naturais classificadas e espécies singulares ou acolher numerosas grutas e algares, o turismo da natureza é deficitário de um suporte sólido que garanta o seu sucesso. Desde logo são escassas as infraestruturas associadas à visitação de espaços naturais.
Os serviços dedicados a esta actividade quase não existem e a experiência e capacidade competitiva das empresas de turismo da natureza ainda são tímidas.
Há muito por fazer, mas também temos um quadro de financiamento disponível que pode e deve motorizar muitas destas iniciativas. Para além disso, o investimento em formação técnica e científica insere-se no conjunto de iniciativas que podem e devem ser promovidas de forma a consolidar o turismo da natureza no centro do país. A atractividade dos flamingos está relacionada com o seu tamanho e a cor rósea da sua plumagem. A sua cor resulta directamente de um pigmento que existe nuns pequenos crustáceos dos quais os flamingos se alimentam. Se não forem mantidas e melhoradas as condições ecológicas que permitam a existência do pequeno camarão, os flamingos perdem o cor-de-rosa e o território perde a funcionalidade enquanto base de suporte ao turismo da natureza no Baixo Mondego.
Neste "boom" que se espera para a nova actividade turística é fundamental incorporar a lógica empresarial e dos mercados, mas esta de nada serve se não investirmos na requalificação e sustentabilidade dos espaços naturais, que lhe dão suporte.
António Martins escreve no JN, quinzenalmente, à segunda-feira a.martins1@yahoo.com

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05-05-08

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Locais Notáveis do Concelho de Penela

Castelo de Penela (MN) e respectivo panorama (*)

Villa Romana do Rabaçal (*)

Montes de Melo e Germanelo (*)

Cascata da Pedra da Ferida (*)

Panorama da Capela do São João do Deserto na crista quartzítica do Espinhal  (*)

Panorama do Monte Vez (*)

Outros locais com algum interesse turístico

Grutas de Algarinho e Talismã (ainda em estudo)

Igreja de santa Eufémia em Penela (IIP)

Convento de Santo António em Penela (IIP)

Vale do Rabaçal

Praia Fluvial da Louçainha

Miradouro da Serra de Santa Maria

Igreja Matriz do Espinhal

Aldeia da Ferraria de São João (Rede das Aldeias de Xisto)

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30-04-08

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Vestígios Romanos e Capela da Nossa Senhora da Póvoa do Mileu (Guarda) (IIP) (*)

Muitos egitanenses, que passam apressados, não reparam, e provavelmente alguns nunca visitaram este interessante complexo, constiutuído por um espaço romano e por igreja românico. Do primeiro não se sabe concretamente a sua funcionalidade e a segunda, apesar de pequena e de não ter a majestade de outros monumentos deste estilo no nosso País, sobretudo se pensarmos nas formas que encontramos a Norte do rio Douro, não deixa de ser o melhor exemplar de toda a Beira Interior a par da Igreja de Santiago de Belmonte (**).

A estação arqueológica foi descoberta em 1951, na sequência da abertura da estrada que segue para a Guarda Gare, tendo então sido identificado o que parecia ser uma villa romana com um conjunto termal. O início da ocupação permanece incógnito, tendo-se no entanto encontrado uma bracelete- uma viria em bronze (da Idade do Bronze ou do Ferro), e que estranhamente servia de argola na porta.

O morro adjacente tem a toponímia de Castelos Velhos e terá sido ocupado na Idade do Ferro e na época romana. De que modo é que a  estação arqueológica do Mileu, poderá estar relacionada com a colina adjacente?

Recentemente foi descoberta nos Castelos velhos uma moeda visigótica de Égica (Rei dos Visigodos no século VII), o que poderá supor uma continuada ocupação pelo menos até finais do século VIII. O espaço tem sido ocupado por um complexo habitacional que poderá fazer desaparecer alguns vestígios arqueológicos.

A estação arqueológica, que continua ainda a ser alvo de prospecção, é constituída por objectos e restos de edifícios romanos.

Da área escavada a Sul da capela destaca-se: um salão tripartido com abside voltada a Norte, comunicando com várias estruturas, a existência de um hipocausto e restos de salas, pátios, corredores. Entre o espólio resgatado, contam-se restos de colunas e de silhares aparelhados, moedas do século II a IV, uma inscrição de dedicada aos deuses manes e séries cerâmicas de sigillata e comuns, lucernas e frisos em mármore. Sob a capela, encontraram-se dois fragmentos de estátuas em mármore, entre elas um torso imperial. Parte do material encontra-se depositado no Museu Municipal da Guarda. O que seria tudo isto? Uma simples villa, um pequeno povoamento, um espaço religioso ou tudo isto espaçado no tempo?

As termas, segundo Jorge Alarcão, poderão ser públicas, e não privadas, como se pode observar pela espessura dos muors e pela estátua loricata aí achada e atribuível à época de Trajano.

O templo românico foi construído na Baixa Idade Média, provavelmente após a transferencia da cabeça diocesana da Egitânia (actual Idanha-a-velha) (**), para a Guarda, por mando de D. Sancho I.

É uma obra singela de arquitectura românica típica, atarracada e densa na sua massa inercial, de pequenas proporções e características arcaizantes. Compõe-se de dois corpos justapostos: nave reduzida e capela-mor quadrangular, mais baixa e estreita. A fachada principal é muito simples, sem qualquer imaginária, no entanto a rosácea embeleza-a, com feição ligeiramente mudéjar. As faces laterais são também rudimentares.

Mas o que mais fascina é o conjunto iconográfico dos modilhões nas fachadas laterais: com figuração geométrica (meias esferas, Cruz de Santo André, cartelas, pirâmides, palmetas, rosetas...), vegetalista e zoomórfica (pássaros, cabeça de lobos? e estranhas cabeças humanas). No interior os capitéis do arco triunfal são decorados: o do lado Norte com uma cabeça humana feminina, da qual se aproxima um animal feroz e, diversos elementos vegetalistas; o do lado Sul, com duas aves afrontadas, em torno de uma estilizada Árvore da Vida e outras tantas pequenas cabeças demoníacas nos ângulos. Daqui se conclui que o programa escultórico revela interesse, que devia ser melhor estudado. Apesar do templo ser do estilo românico, tem ainda componentes que atestam a sua transição para o gótico, tais como o arco triunfal da capela-mor.

A plasticidade arcaica esculpida no granito desta e doutras igrejas românicas, principalmente, quando a imperfeição e a dúvida persistem, são tónicos dirigidos à nossa imaginação, mas também ao intelecto e à generalidade dos sentidos; por isso gostamos tanto deste estilo. Confesso que em breve, vou tentar passar algum tempo a tentar ler todo aquele grupo escultórico (67 no total) a luz dos meus parcos conhecimentos.

A devoção e romaria à nossa Senhora do Mileu, provavelmente já existiria nos fins do século XIII e é, por enquanto impossível, dizer qual a origem da actual capela e da invocação da referida Senhora; a capelinha poderá ter sido ermida de passagem (para Santiago de Compostela). Aqui está um link para uma das lendas da capela.

O conjunto inclui ainda o amplo terreiro, (que deve segredos nos reserverá o seu subsolo?) e uma vernácula habitação. Peço aos egitanenses que descubram e valorizem este espaço. Recomendo a continuação do seu estudo, a retirada urgente das execráveis bombas de gasolina, a construção de um pequeno jardim, com evocação de todo este conjunto notável e ignorado, se possível ligando-o à urbanização do morro do Castelo Velho.

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27-04-08

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Panorama do Cerro de São Miguel/Monte Figo (Olhão) (***)

Adoro nadar nas águas algarvias, mas fujo da balbúrdia e apenas me instalo a partir das 17 horas, se possível isolado numa ilha paradisíaca do Parque Natural da Ria Formosa- aí o paraíso é apenas meu (basta caminhar apenas uns 15 minutos, afastando-me da zona de maior densidade de veraneantes e ficamos sós - é um benfazejo estado de alma). Quando nado, por vezes destemidamente, para longe da linha de costa, tenho sempre aquele estupendo monte como guia tutelar. E até de noite, ao luar, quando nado algures distraído do cosmos, tenho-o todo em mim. Perdido resgatado renascido- ali está Lucífer na Terra!

A sua presença, esquecido pelos cegos turistas, tem sido um farol, para todos os povos que habitaram o Sotavento algarvio. Há uma beleza que nos é oferecida nesta região: a deste mar remansoso, a amenidade acariciadora da temperatura nocturna, e aquele estupendo monte calcário.

É notável a sua implantação; as tensões da orogenia Alpina, colocaram este enorme complexo anticlinal (complexo, pelo menos para mim que não o estudei) de litologia calcária com idade Jurássica Média numa situação privilegiada.

A estrada é apertadinha, mas alcatroada, passa por Moncarrapacho, bonita aldeia, com uma interessante igreja da Renascença (principalmente o seu portal). Depois de começar a subir, os seus horizontes vão-se alargando, ficamos extasiados por tanta amplitude visual, tanta luz, que ao nascer e ao pôr-do-sol, adquire tonalidades magníficas. Do alto dos seus  410 m de altitude colhe-se um dos mais deslumbrantes panoramas do Algarve (rivalizando com a Fóia na Serra de Monchique (**)), e arrisco dizer, de toda a Península Ibérica. Abrange metade do litoral algarvio, prosseguindo para Norte com o Barrocal sedimentar e as serranias xistentas do interior algarvio.

O Bruno pede-me para descrever o que vejo. Aqui está um resumo.

Viremo-nos para o mar,infinito com o cordão de localidades litorais: Albufeira, Quarteira, Vale do Lobo, Almansil, Faro (com o seu aeroporto, a sua Sé (*) de onde se avista um magnífico panorama) e Olhão; estas duas jazem a nossos pés. Ali as Ruínas Romanas de Milreu (***)-um dos mais belos complexos romanos portugueses, principalmente pelo seu ninfeu (calma Carlos não te desorganizes e não fales em Milreu), nem tão pouco, no quase contíguo Palácio de Estói (*), bem visível daqui - eles acenam que sim, eu desconfiou da sua argúcia visual; de certeza que descortinam a mais bela cidade Algarvia-Tavira (**), continuemos por Cacela, Manta Rota, Altura, Monte Gordo, passamos o Guadiana, eis a Ilha Cristina, e o Fernando ou o Filipe, já não sei qual deles, assevera que vê Huelva; não deixo de sorrir. A Inês não deixa de indicar, entusiasmada, a Fortaleza de Cacela Velha; era a sua actividade de menina que o papi lhe tinha destinado - e toma lá 1 euro! Atrai-me imenso visualizar com grande clareza o Parque Natural da Ria Formosa (***). São cerca de 60 km da Costa Algarvia entre as Penínsulas de Ancão (em Vale do Lobo) e da Manta Rota, com 18000 ha de ilhas, sapais, praias e lagunas. Quantas Ilhas? Dizem-me três, quatro- vejamos: a Deserta (***), Culatra-Farol (**), Armona-Fuseta (**), Tavira (**) e por fim, a de Cabanas (*). São 5- E tudo isto jaz serenamente a nossos pés.

Mas antes de nos voltarmos para o Norte (sim porque aqui o domínio visual é de 360º), pergunto se sabem quem foi Avieno, se conhecem a obra da “Ora Marítima” ou Zéfiro. As respostas são vagas e difusas.

Começo então a descrever o que sei. Prometo que não serei aborrecido, pois penso que não o fui para eles!

Este espaço constitui um extraordinário espaço de culto pré-cristão. Desde que o homem navega e devido à sua extraordinária localização, foi considerado um Santuário marítimo de altitude, farol e oráculo meteorológico.

Aqui passaram os navegadores fenícios, o espaço poderia ser associado a Baal Saphon, talvez ainda antes do século VIII a.C. A exegese grega posterior desta dedicação, talvez no século VI a.C., consagra-o ao vento Zéfiro divinizado.

O seu uso como santuário durante a Antiguidade Romana está comprovado pela existência de uma estrada romana, que subia até aqui, que provavelmente ligaria à importante cidade romana de Balsa (localizada ali, perto da Torre de Aires a 11 km), revelando tratar-se de um lugar de culto desta cidade e a um Deus ainda hoje desconhecido.
A sua localização foi indicador precioso dos navegantes, provavelmente estaria ali facho de sinalização nocturna. É esta memória ou tradição de farol, ainda hoje mantida entre os pescadores, que pode melhor justificar a sua dedicação posterior a São Miguel o feroz vencedor de Lúcifer- o que traz luz.(continua).

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25-03-08

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Locais Notáveis do Concelho de Sintra

Paisagem Cultural de Sintra (Património Mundial da Humanidade -UNESCO) (*****)

Palácio e Parque Nacional da Pena (MN) (****)

Palácio Nacional de Sintra (MN) (***)

Castelo dos Mouros e respectiva paisagem (MN) (**)

Percursos pedestres entre o Castelo de Mouros/Parque da Pena e a Vila de Sintra (**)

Panorama da ermida de Santa Eufémia (IIP) (*)

Museu de Arte Moderna/Antigo Casino de Sintra (*)

Conjunto arquitectónico de Raul Lino (Casa do Penedo, Casa dos Ciprestes (IIP) e Casa Branca nas Azenhas do Mar) (*)

Palácio da Quinta dos Ribafria (na estrada de Lourel) (IIP) (*)

Estrada Nacional 375 até Colares-Penedo (****), que inclui:

Quinta e Palácio da Regaleira (IIP) (***)

Quinta do Relógio (IIP) (*)(em remodelação)

Palácio de Seteais (IIP) (**) (em remodelação)

Quinta da Penha Verde (MN) (**) (Não é visitável)

Parque e Palácio de Monserrate (IIP) (****)

Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra ou dos Capuchos (IIP) (***)

Exterior a área classificada pela UNESCO:

Palácio Nacional de Queluz (MN) (***)

Museu Arqueológico e Ruínas São Miguel de Odrinhas (IIP) (**)

Meníres da Barreira-São Miguel de Odrinhas (IIP) (*)

Capela Circular de São Mamede de Janas (IIP) (*)

Quintas de Colares (*)

Panorama do Santuário Peninha ou de São Saturnino (IIP) (***)

Cabo da Roca (**)

Praia da Ursa (*)

Praia Grande (*)

Praia da Adraga (*)

Praia das Maçãs (*)

Azenhas do Mar (*)

Praia da Aguda (*)

Praia de Magoito (*)

Praia de São Julião (*)

Outros Locais com interesse turístico:

Igreja e Convento da Penha Longa (MN)

Lagoa Azul

Museu