Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

23-12-08

E agora o site já existe, estamos a transferir gradualmente conteúdos para  http://www.portugalnotavel.com/

Boa viagem e sejam felizes.

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17-07-08

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Locais Notáveis da Nazaré

Promontório do Sítio da Nazaré (***)

Igreja visigótica de São Gião (MN) (**)

Praia da Nazaré (*)

Serra da Pescaria e Praia do Salgado (**)

Praia do Norte (*)

Monte gábrico de São Bartolomeu/ São Brás/Monte Seano (*)

Panorama da Pederneira (*)

Outros locais com interesse turístico:

Pelourinho da Pederneira/tronco de conífera silificado /menir

Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso

Várzeas de Valado dos Frades

Duna da Aguieira

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27-04-08

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Panorama do Cerro de São Miguel/Monte Figo (Olhão) (***)

Adoro nadar nas águas algarvias, mas fujo da balbúrdia e apenas me instalo a partir das 17 horas, se possível isolado numa ilha paradisíaca do Parque Natural da Ria Formosa- aí o paraíso é apenas meu (basta caminhar apenas uns 15 minutos, afastando-me da zona de maior densidade de veraneantes e ficamos sós - é um benfazejo estado de alma). Quando nado, por vezes destemidamente, para longe da linha de costa, tenho sempre aquele estupendo monte como guia tutelar. E até de noite, ao luar, quando nado algures distraído do cosmos, tenho-o todo em mim. Perdido resgatado renascido- ali está Lucífer na Terra!

A sua presença, esquecido pelos cegos turistas, tem sido um farol, para todos os povos que habitaram o Sotavento algarvio. Há uma beleza que nos é oferecida nesta região: a deste mar remansoso, a amenidade acariciadora da temperatura nocturna, e aquele estupendo monte calcário.

É notável a sua implantação; as tensões da orogenia Alpina, colocaram este enorme complexo anticlinal (complexo, pelo menos para mim que não o estudei) de litologia calcária com idade Jurássica Média numa situação privilegiada.

A estrada é apertadinha, mas alcatroada, passa por Moncarrapacho, bonita aldeia, com uma interessante igreja da Renascença (principalmente o seu portal). Depois de começar a subir, os seus horizontes vão-se alargando, ficamos extasiados por tanta amplitude visual, tanta luz, que ao nascer e ao pôr-do-sol, adquire tonalidades magníficas. Do alto dos seus  410 m de altitude colhe-se um dos mais deslumbrantes panoramas do Algarve (rivalizando com a Fóia na Serra de Monchique (**)), e arrisco dizer, de toda a Península Ibérica. Abrange metade do litoral algarvio, prosseguindo para Norte com o Barrocal sedimentar e as serranias xistentas do interior algarvio.

O Bruno pede-me para descrever o que vejo. Aqui está um resumo.

Viremo-nos para o mar,infinito com o cordão de localidades litorais: Albufeira, Quarteira, Vale do Lobo, Almansil, Faro (com o seu aeroporto, a sua Sé (*) de onde se avista um magnífico panorama) e Olhão; estas duas jazem a nossos pés. Ali as Ruínas Romanas de Milreu (***)-um dos mais belos complexos romanos portugueses, principalmente pelo seu ninfeu (calma Carlos não te desorganizes e não fales em Milreu), nem tão pouco, no quase contíguo Palácio de Estói (*), bem visível daqui - eles acenam que sim, eu desconfiou da sua argúcia visual; de certeza que descortinam a mais bela cidade Algarvia-Tavira (**), continuemos por Cacela, Manta Rota, Altura, Monte Gordo, passamos o Guadiana, eis a Ilha Cristina, e o Fernando ou o Filipe, já não sei qual deles, assevera que vê Huelva; não deixo de sorrir. A Inês não deixa de indicar, entusiasmada, a Fortaleza de Cacela Velha; era a sua actividade de menina que o papi lhe tinha destinado - e toma lá 1 euro! Atrai-me imenso visualizar com grande clareza o Parque Natural da Ria Formosa (***). São cerca de 60 km da Costa Algarvia entre as Penínsulas de Ancão (em Vale do Lobo) e da Manta Rota, com 18000 ha de ilhas, sapais, praias e lagunas. Quantas Ilhas? Dizem-me três, quatro- vejamos: a Deserta (***), Culatra-Farol (**), Armona-Fuseta (**), Tavira (**) e por fim, a de Cabanas (*). São 5- E tudo isto jaz serenamente a nossos pés.

Mas antes de nos voltarmos para o Norte (sim porque aqui o domínio visual é de 360º), pergunto se sabem quem foi Avieno, se conhecem a obra da “Ora Marítima” ou Zéfiro. As respostas são vagas e difusas.

Começo então a descrever o que sei. Prometo que não serei aborrecido, pois penso que não o fui para eles!

Este espaço constitui um extraordinário espaço de culto pré-cristão. Desde que o homem navega e devido à sua extraordinária localização, foi considerado um Santuário marítimo de altitude, farol e oráculo meteorológico.

Aqui passaram os navegadores fenícios, o espaço poderia ser associado a Baal Saphon, talvez ainda antes do século VIII a.C. A exegese grega posterior desta dedicação, talvez no século VI a.C., consagra-o ao vento Zéfiro divinizado.

O seu uso como santuário durante a Antiguidade Romana está comprovado pela existência de uma estrada romana, que subia até aqui, que provavelmente ligaria à importante cidade romana de Balsa (localizada ali, perto da Torre de Aires a 11 km), revelando tratar-se de um lugar de culto desta cidade e a um Deus ainda hoje desconhecido.
A sua localização foi indicador precioso dos navegantes, provavelmente estaria ali facho de sinalização nocturna. É esta memória ou tradição de farol, ainda hoje mantida entre os pescadores, que pode melhor justificar a sua dedicação posterior a São Miguel o feroz vencedor de Lúcifer- o que traz luz.(continua).

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25-03-08

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Locais Notáveis do Concelho de Sintra

Paisagem Cultural de Sintra (Património Mundial da Humanidade -UNESCO) (*****)

Palácio e Parque Nacional da Pena (MN) (****)

Palácio Nacional de Sintra (MN) (***)

Castelo dos Mouros e respectiva paisagem (MN) (**)

Percursos pedestres entre o Castelo de Mouros/Parque da Pena e a Vila de Sintra (**)

Panorama da ermida de Santa Eufémia (IIP) (*)

Museu de Arte Moderna/Antigo Casino de Sintra (*)

Conjunto arquitectónico de Raul Lino (Casa do Penedo, Casa dos Ciprestes (IIP) e Casa Branca nas Azenhas do Mar) (*)

Palácio da Quinta dos Ribafria (na estrada de Lourel) (IIP) (*)

Estrada Nacional 375 até Colares-Penedo (****), que inclui:

Quinta e Palácio da Regaleira (IIP) (***)

Quinta do Relógio (IIP) (*)(em remodelação)

Palácio de Seteais (IIP) (**) (em remodelação)

Quinta da Penha Verde (MN) (**) (Não é visitável)

Parque e Palácio de Monserrate (IIP) (****)

Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra ou dos Capuchos (IIP) (***)

Exterior a área classificada pela UNESCO:

Palácio Nacional de Queluz (MN) (***)

Museu Arqueológico e Ruínas São Miguel de Odrinhas (IIP) (**)

Meníres da Barreira-São Miguel de Odrinhas (IIP) (*)

Capela Circular de São Mamede de Janas (IIP) (*)

Quintas de Colares (*)

Panorama do Santuário Peninha ou de São Saturnino (IIP) (***)

Cabo da Roca (**)

Praia da Ursa (*)

Praia Grande (*)

Praia da Adraga (*)

Praia das Maçãs (*)

Azenhas do Mar (*)

Praia da Aguda (*)

Praia de Magoito (*)

Praia de São Julião (*)

Outros Locais com interesse turístico:

Igreja e Convento da Penha Longa (MN)

Lagoa Azul

Museu Anjos Teixeira

Quinta do Saldanha

Museu do Brinquedo

Museu Ferreira de Castro

Quinta dos Pisões

Palácio e Quinta do Ramalhão

Campo de Lápias de Negrais

Barragem Romana de Belas (IIP)

Fonte Romana de Armés

Antas de Belas (MN)

Calçada e ponte romanas e azenhas na Catribana (IIP)

Palácio da Quinta do Marquês/quinta do Senhor da Serra (Belas) (IIP)

Convento de Santa Ana da Ordem do Carmo / Convento do Carmo / Quinta do Carmo (Colares) (IIP)

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22-02-08

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Locais Notáveis do Concelho de Miranda do Corvo

Panorama do Santuário do Senhor da Serra e do vértice geodésico das Chãs (**)

Panorama do Parque Eólico de Vila Nova (**)


Outros Locais com Interesse turístico:

Convento de Nossa Senhora de Semide (IIP)

Aldeia de xisto de Gondramaz (Rede das Aldeias de Xisto)

Santuário da Nossa Senhora de Tábuas

Alto do castelo em Miranda do Corvo

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04-01-08

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Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (2ªParte) 

O Infante D. Henrique (1395-1460), nomeado Mestre da Ordem, residiu neste castelo. Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo, momento em que o soberano ordena a reparação das suas defesas, inclusive as muralhas do castelo. Estes trabalhos encontram-se registrados por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509). Com o início da expansão marítima portuguesa, a região do Algarve revestiu-se de nova importância estratégica, pela sua proximidade com as praças do Norte d’África. Estas obras atendiam um duplo objectivo: o suporte logístico às praças africanas e o de vigilância diante da acção de corsários, activos na região. Outras praças algarvias, entretanto, modernizaram-se ao longo do século XVI, o que não se registrou em Castro Marim.

Durante a crise de sucessão de 1580, levantando-se o partido do Prior do Crato, os integrantes da Junta de Defesa do Reino, estabelecida após o falecimento do Cardeal D. Henrique, fogem para Castro Marim, de onde passam a Ayamonte, na Espanha. Ali protegidos, lavram e assinam uma declaração em que reconhecem os direitos de Filipe II de Espanha ao trono de Portugal, proscrevendo D. António.

Com a Guerra da Restauração da independência portuguesa, a defesa lindeira de Castro Marim foi remodelada, adquirindo modernas linhas abaluartadas. Estas obras só estarão concluídas no reinado de D. Afonso VI de Portugal (1656-1667), complementadas pelo Forte de São Sebastião e pelo Forte de Santo António. Dentro deste sistema defensivo mandou o soberano erguer uma nova ermida dedicada a Santo António na qual um altar era consagrado ao mártir São Sebastião.

Durante o terramoto de 1755 o núcleo medieval da vila sofreu extensos danos, particularmente sentidos na Igreja de São Tiago. Por essa razão, D. José I (1750-1777) determinou a recuperação das defesas da vila.

No início do século XX, o Castelo de Castro Marim foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 1910. Só em meados desse século, entretanto, se iniciou a intervenção do poder público.

Em posição dominante sobre um monte, o castelo medieval (também denominado Castelo Velho ou simplesmente Castelejo) apresenta planta quadrangular irregular, com quatro cubelos cilíndricos nos vértices dos muros, percorrido por adarve, onde se rasgam duas portas, uma a norte e outra a sul, uma das quais encimada por pedra de armas e inscrição epigráfica. No interior da praça de armas, erguem-se edifícios de dois pavimentos adossados aos muros oeste e norte; do lado leste, as ruínas da primitiva alcáçova. Externamente, identificam-se os restos da torre de menagem e de um baluarte que a ladeava.

Ao abrigo da barbacã, de planta triangular, percorrida por adarve, erguem-se a Igreja de São Tiago, a Igreja de Santa Maria, Igreja da Misericórdia e um núcleo museológico, com testemunhos arqueológicos da ocupação da região. No vértice sul ergue-se uma plataforma para artilharia, nos vértices leste e oeste, dois torreões de planta quadrangular, cobertos por terraços nos quais se rasgam portas em arco pleno. Encimando a porta do torreão oeste, uma pedra de armas e uma inscrição epigráfica, do tempo de Dom Dinis 1.

Pensemos agora simplesmente na beleza do lugar, nesta imensidão de água, no vasto sapal nele, as salinas assemelhando-se a espelhos de mosaicos, brilhando e reflectindo a claridade. Ao seu lado e acompanhar o perfil dos incansáveis marnotos, erguem-se pirâmides brancas imaculadas.

O que é agora o Castelo de Castro Marim?

As frases esvoaçam em redor, deixo-as vir e ir com o vento. "O Tempo é a substância da qual sou feito. O Tempo é um rio que me leva na sua corrente, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo."2, também estas pedras do castelo, estas lagaretas que servem de piso no adarve, esta singela vila luminosa, ainda abem preservada, a foz do rio Guadiana, a grandiosa Ponte Internacional, aqueles montes pardacentos e taciturnos, onde se pressente a desertificação,  estes montículos de pedra escalavrados, estes mergulhões e a linguagem única de outros pássaros que não conheço, e as igrejas moribundas, esqueléticas, e este camaleão, que saltita, em prece ao disco rei, e até este, feito de tempo, de hélio e hidrogénio, e até aquela criança bonita, tão feliz como se o tempo não contasse, pura excelência na paisagem; corre, corre que não conheces a Lei de Gompertz! E é isto no que creio, na felicidade fugaz, que agora aqui experimento e que o leitor também pode ter se aqui vier.

Fontes de Informação:

1-Texto retirado da Wikipedia da entrada sobre o castelo de castro Marim

2- Jorge Luís Borges, O Aleph, 1949

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29-12-07

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Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (1ªParte) 

"A pesquisa arqueológica indica que a primitiva ocupação humana do monte do Castelo data do final da Idade do Bronze. Desde então não houve interrupção da ocupação da foz do rio Guadiana, sempre ligada à actividade comercial marítima, sucessivamente por navegadores Fenícios, Gregos 1 e Cartagineses (final do século IV a.C.) até ser destruído por um forte abalo sísmico antes da chegada dos Romanos.

O mais antigo muro defensivo identificado no recinto do actual castelo remonta ao século VIII a.C., tendo sido acrescido por outras estruturas nos séculos seguintes, em particular entre os séculos V a III a.C., quando o comércio com as cidades gregas se intensificou.

À época da Invasão romana da Península Ibérica, o rio Guadiana serviu de fronteira entre as províncias da Bética e da Lusitânia. A povoação foi reocupada e a sua fortificação reconstruída, transformando-se em importante centro político e económico regional. Daqui partiam as movimentadas estradas que ligava Baesuris 2 (Castro Marim) a Mértola (a norte), a Ossonoba (Faro) e Balsa, pela costa (a oeste) e Huelva (a leste).

Posteriormente, mantendo a sua importância, foi ocupada por Vândalos e por Muçulmanos 3, alguns autores atribuindo a estes últimos a edificação do primitivo castelo, de planta quadrada, com torres semi-circulares nos vértices.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi atingida pelas forças portuguesas na década de 1230. D. Sancho II de Portugal alcançou a foz do rio Guadiana onde conquistou Mértola e Ayamonte (1238). A conquista de Castro Marim deu-se a seguir, sob o comando do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia (1242). A partir de então, a coroa promoveu o repovoamento do Algarve, a cargo das Ordens Militares. Castro Marim recebeu Carta de Foral passada por D. Afonso III de Portugal desde 8 de Julho de 1277, com a determinação para a reconstrução de sua defesa.

Sob o reinado de D. Dinis de Portugal (1279-1325), foi iniciada a reconstrução da porta do castelo, conforme inscrição epigráfica (1 de Julho de 1279). O soberano confirma e amplia o foral da vila (1 de Maio de 1282). Posteriormente, em virtude da negociação e assinatura do Tratado de Alcanices (12 de Setembro de 1297), quando Portugal desistiu dos domínios de Aroche, Ayamonte, Aracena e outros, recebendo em troca os de Campo Maior, Olivença e outros na região, o soberano determinou o reforço do Castelo de Castro Marim (1303) e a construção de uma barbacã. Essas estruturas ficaram conhecidas respectivamente como “Castelo Velho” e “Muralha (ou castelo) de Fora”4.

Ainda no reinado deste soberano, diante da extinção da Ordem do Templo, por Bula do Papa João XXII (14 de Março de 1319), Castro Marim foi doada à recém-criada Ordem de Cristo que ali estabeleceu a sua primeira sede, de 1319 a 1356 4”.

Com a transferência da sede para Tomar, por ordem de D. Pedro I de Portugal (1357-1367), a importância estratégica da vila diminuiu, começando a despovoar-se".5

Mas ainda no reinado de Dom Afonso IV, o castelo de Castro Marim seria atacado por “dez mil de cavalo e fora outras muy gentesde pè para danificar Portugal…e esteve sobre elle alguns dias e por combates e afrontas q`lhe deu trabalhos para a pollar, e não pode porque avia dentro homens de vergonha e bons defensores portugueses, que com muita força, e ousadia a defenderam…”6

1- Ver as Cerâmicas Áticas do Castelo de Castro Marim de Ana Margarida Arruda.

2- Civitas de alguma dimensão uma vez que aqui foi cunhada moeda; também deste período se encontrou altar num larário. 3- Castro Marim, seria em época islâmica, um pequeno povoado fortificado com funções de entreposto marítimo as ruínas de fortificações de diferentes. A planta quadrangular do recinto amuralhado do Castelo Velho, "com torres de canto semi-cilíndricas", foi já considerada como volumetricamente decorrente da tradição "bizantina-emiral" (TORRES, 1997, p.440), embora pareçam mais fortes os indícios de se tratar de uma fortaleza costeira manuelina. 

4- Dom Dinis usou o argumento, dos ataques mouros, para colocar a Ordem neste ponto estratégico para a preservar. Porque em Castro Marim havia “ um Castelo muito forte, a que a disposição do lugar fez muito defensável, na fronteira dos ditos inimigos”.

Esta fortificação terá assim desempenhado um papel fundamental no desfecho do “processo dos Templários” em contexto nacional e europeu. Aqui desembarcarem inúmeros cavaleiros foragidos de França, para integrarem a Nova Ordem de Cristo.

5-Texto retirado integralmente da wikipedia.

6- Crónicas de Ruy de Pina.

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30-09-07

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Locais Notáveis de Olhão 

Panorama do outeiro de São Miguel/Monte Figo/Monte Zéfiro (***)

Centro Educacional Ambiental da Quinta de Marim (Sede do Parque Natural da Ria Formosa)  (**)

Ilha da Fuseta - Armona  (***)

Panorama da torre sineira da Igreja matriz de Olhão (*)


Outros Locais com Interesse turístico

Igreja Matriz de Moncarrapacho

Retábulo maneirista na igreja da Misericórdia de Moncarrapacho

Museu Paroquial de Moncarrapcho com o presépio napolitano

Arco Cruzeiro da igreja matriz de Quelfes

Antigo mercado municipal de Olhão

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21-09-07

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Centro Urbano Iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (2ªparte) 

Vila Real de Santo António foi construído entre 1774 e 1777, por ordem do Marquês de Pombal junto à foz do Guadiana, para substituir a aldeia piscatória de Santo António de Avenilha, que nos fins do século XVI ou princípios do século XVII fora tragada pelas ondas. O objectivo era o de controlar o comércio neste importante ponto de fronteira e desenvolver as pescas, que mais tarde fariam surgir a indústria conserveira na região. Apesar da localidade ser caótica e disforme, o seu centro histórico não deixa de ser notável, com o traçado geométrico a lembrar a baixa lisboeta. Ao todo são 190 edifícios da época pombalina, alguns ainda originais, todos eles executados com grande elegância e mestria. Pressente-se aqui o sentido do espírito iluminista.

O delineamento da praça, o centro nevrálgico da obra pombalina, deve-se ao arquitecto principal da corte, o capitão Reinaldo Manuel dos Santos. O imponente obelisco, referente ao Rei Dom José, tem a data do ano de 1775, mas só foi exposto ao público a 13 de Maio de 1776.

Todo o conjunto pombalino “…exibe ainda hoje o sereno equilíbrio do seu formulário clássico. Centrado na praça de dimensões quadradas (72,60 X 72,60 m), que inclui a Câmara Municipal e a igreja Matriz, com o pavimento irradiante convergindo no obelisco central, e moldurado pelos 4 torreões nos seus extremos. Igualmente a frente marginal deste conjunto, deitando sobre o Guadiana, apresenta a série de frentes de quarteirão de coberturas simples amansardadas, com uma construção elementar mas de uma monumentalidade obtida pelo conjunto, que remata em dois torreões, a norte e a sul, ligeira e subtilmente sobreelevados, de cobertura tipo pombalina (duas águas desiguais). O torreão Sul, recuperado recentemente, alberga o arquivo histórico”. 2

A doca de recreio, virada para o rio Guadiana, com as embarcações garridas, apesar de nos turvar a paisagem, não deixa de ser uma obra importante para a região, e só por isso compreensível.   

O espírito construtivo dos portugueses é notável, quando bem presididos e se tivéssemos tido um ror de bons dirigentes recentes, Portugal estaria mais próspero e menos injusto. Citando o nosso maior poeta " um fraco rei, faz fraca a forte gente”  mas dêem-me autorização para adaptar a frase ao meu conceito de mundo – um forte Rei torna forte a fraca gente.

As palavras do obelisco fazem-nos compreender o sentimento do rei absoluto para com os seus vassalos e lembrar aos políticos actuais que o objectivo final de uma boa governação é o da “felicidade pública”, presente e futura.

O Marques ficaria aterrado com a cidade, em que se transformou Vila Real Real de Santo António, e ainda para mais se visse a Câmara Municipal desmantelada…haja esperança na obra da sua requalificação.

Lembremos as palavras do primeiro viajante atento e aplicamo-las às obras do Marquês: “Que as obras dos Homens e os seus feitos memoráveis não caiam nunca no esquecimento”; assim escreveu Heródoto no preâmbulo das suas (nossas) histórias.

Fonte de Informação: 2- Fernandes, José Manuel; Janeiro, Ana- Arquitectura no Algarve dos primórdios à actualidade, uma leitura de síntese, CCDRAlg, 2005

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08-09-07

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Centro urbano iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (1ª parte)

A EL REY D JOSÉ I

AUGUSTO INVICTO PIO

RESTAURADOR

DOS ARTISTAS DAS LETRAS

DO COMMERCIO DA AGRICULTURA

REPARADOR

DA GLORIA E FELICIDADES PUBLICA

CLEMENTISSIMO PAI DOS SEUS VASSALOS

PROTECTOR DA INNOCENCIA

VINGADOR SUPREMO DA OPPRESSAÕ

CONSERVADOR DA PAZ PUBLICA

E INIMIGO DA DISCORDIA

O COMMERCIO DAS PESCARIAS

DESTA VILLA REAL DE S. ANTONIO

LEVANTADA EM CINCO MEZES PELAS

SUAS REAES PROVIDENCIAS E DECRETOS

QUE COM TODO OZELLO EXECUTOU

O MARQUEZ DE POMBAL,

DA INUNDAÇAÕ DO OCEANO EMQUE

SECULOS ANTES ESTEVE SUBMERGIDAERIGIO ESTE OBELISCO

PARA PERPETUO PADRAÕ DOSEU

HUMILDE E IMMORTAL RECONHECIM

ANNO DE 1775

Nota - Citação do obelisco da Praça do Marquês de Pombal em Vila Real de Santo António

“Fundada entre 1774 e 1776 por expressa vontade do Marquês de Pombal para centro das Reais Pescarias do Algarve, Vila Real de Santo António é a principal jóia representativa da arquitectura pombalina do século XVIII português.
Criada “ex-nihilo”, isto é, a partir do zero, Vila Real de Santo António surge-nos como uma urbe nascida do alto, por vontade e artifício do poder.
Antes do lançamento da primeira pedra tudo era um ermo. Os treze mil e quinhentos metros cúbicos de aterros para escoamento das águas pluviais irão calibrar o terreno onde a futura povoação se há-de erigir, no local denominado Barranco.
Santo António de Arenilha, uma bem provável póvoa marítima medieval que D. Manuel I promovera a vila por volta de 1513, já havia sido tragada pelas águas do oceano ao finalizar a centúria de seiscentos, deixando “ipso facto” um vazio populacional ainda maior face a Espanha.
Cacela, anterior sede do concelho, despovoara-se paulatinamente, habitando os seus moradores por quintas e fazendas.

Monte Gordo, entretanto, atraíra grande número de catalães, maiorquinos, andaluzes e outros estrangeiros que, exercendo aí uma sazonal mas desenfreada actividade piscatória, haviam-se apropriado das riquezas dos seus mares, fugindo ao fisco quanto podiam.
Castro Marim, após as Guerras da Restauração, perde a importância militar e “desactiva” o estatuto de principal praça forte do Algarve. Este é o cenário à entrada do último quartel do Século das Luzes.
E, se a ele aduzirmos o marasmo a que chegara a actividade agrícola, o incipiente comércio efectuado por nacionais agora na completa dependência de súbditos ingleses, e a impossibilidade de obstaculizar o desmedido contrabando que esta zona fronteiriça albergava, numa época em que as remessas de ouro do Brasil se contraiam cada vez mais, teremos focado os principais motivos que impeliram Sebastião José de Carvalho e Melo a mandar edificar a nova “Vila Rial”.
A razão principal da construção da urbe é, assim, a erecção da Alfândega (então retirada a Castro Marim). Ela é símbolo da potestade pombalina. Aqui começava terra portuguesa, logo aqui se cobrariam os réditos do pescado retirado às águas de Monte Gordo.
A traça urbanística, que tem a sua expressão máxima na antiga Praça Real (que hoje leva o nome do Marquês) e nas ruas circundantes, faz de Vila Real de Santo António um paradigma do urbanismo e arquitectura do período iluminista”.

Fonte de Informação: Texto integral do site Minha Terra

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07-09-07

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Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso (Almeida) (*)

A estação do Caminho de Ferro de Vilar Formoso, foi inaugurada em 3 de Agosto de 1882 pela família Real- o  rei D.Luís, a rainha D.Maria Pia e o príncipe D.Carlos, em conjunto com a linha da Beira Alta que, vinda da Pampilhosa, ali desembocava. Deve ter sido um dia muito festivo para os povos raianos, que olhariam o futuro com esperança - afinal de contas, passado 125 anos a Beira Interior não desenvolveu e continua agonizante – “apesar da crueza dos factos, as sonoras locomotivas a vapor, possibilitaram algum progresso comercial a Vilar Formoso - surgiram as pensões, casas de pasto, boticas, depósitos de recolha e despacho de mercadorias. Instalou-se uma alfândega de primeira classe e uma secção fiscal. Instalaram-se funcionários públicos,  pois a fronteira significou burocracia no controlo de passageiros, revisão de bagagens e cobrança de taxas. De repente o anónimo lugarejo acordou como categorizado entreposto comercial e administrativo, vendo perdida a aquietação habitual.

Agora os automóveis passam céleres pelo asfalto da A25, Vilar Formoso é por isso um povoado ferido pelas mudanças ditadas pela União Europeia e pelo acordo de Schengem. Sem fronteira não há despachos, conferências, taxas e coimas a aplicar. Escoou-se a necessidade de pernoitar e alimentar na Vila.

Na sua demanda a Espanha, ou na sua vinda, se tiver algum tempo disponível, visite a estação de caminho de ferro, e deixe-se encantar com a imponência do edifício e os painéis de azulejo embutidos nas paredes (*). É um dos mais belos conjuntos azulejares portugueses do século XX, representam paisagens típicas e alguns dos mais belos monumentos de portugueses (Mosteiro da Batalha, Alcobaça, Sé Velha de Coimbra, Sé da Guarda, igreja da misericórdia de Mangualde, …). Foram executados na fábrica viúva Lamego, Lisboa, em meados do século XX.

São contudo de valor desigual e de autores diferentes. Belíssimos e monumentais, são por exemplo, os painéis dos lavabos, que retratam os banhistas na praia da Figueira da Foz; infelizmente atenuados, por não estarem na zona nobre da estação e à sua frente terem feito a construção de um edifício sem nexo. Alguns azulejos são atribuidos a João Alves de Sá (não sei se são o melhor ou o pior conjunto de azulejos!).

Aqui trabalhou Júlio Resende, em 1958, no início da sua carreira, um dos maiores pintores portugueses - o mesmo que, por exemplo, elaborou a “Ribeira Negra” (1986) (*) no Centro Histórico do Porto (*****)- os seus painéis, entretanto desaparecidos, deveriam ser restaurados, de acordo com o parecer e gosto do mestre, o que tornaria Vilar Formoso mais apelativo.

Estas representações azulejares, pintadas durante o século XX, nesta e noutras dezenas de estações de caminho de ferro do País, associavam-se à apologia propagandística do Estado Novo que pretendia afirmar-se nos arquétipos da identidade e valores nacionais- os painéis davam (dão) aos visitantes noções básicas do que poderá visitar em Portugal e também representavam o labor agrícola do povo. Enfim, são bons anúncios turísticos feitos, em muitos casos, com mestria.

Épocas marcantes em Vilar Formoso são as levas da 2ª Guerra Mundial, quando os comboios se dirigiam para a Espanha ou vinham com refugiados (terão passado por aqui centenas de Judeus salvos por Aristides Sousa Mendes). Já nos anos do último quartel do século XX a vaga migratória nacional tem como referência a estação e o nome de Vilar Formoso como símbolo de um último adeus à terra pátria.

Visite a Estação de caminhos de Ferro de Vilar Formoso e reflicta na beleza que é Portugal - um verdadeiro Éden à espera que os Portugueses elaborem o seu Paraíso terreal.

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02-08-07

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Locais Notáveis do Concelho de Montemor-o-velho

Castelo de Montemor-o-Velho (MN) (***)

Convento da Nossa Senhora dos Anjos (Montemor-o-Velho) (MN) (*), com o túmulo de Diogo de Azambuja (*)

Hospital da Misericórdia de Montemor-o-Velho, com o tríptico quinhentista dos Mestres do Sardoal (IIP) (*)   

Panorama e ecossistema do Outeiro da Quinta de São Gens (*)

Paisagem da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Reveles (*)

Campos do Mondego (*)

Pauis do Mondego (Arzila, Taipal e Madriz) (*)

Paço Real de Tentúgal/Paço do Duques do Cadaval (*)

Outros locais com interesse turístico

Igreja Matriz de Pereira (IIP)

Igreja da Misericórdia de Pereira (IIP)

Capela da Nossa Senhora do Pranto, com a imagem da Senhora e a paisagem

Celeiro dos Duques de Aveiro em Pereira

Centro Histórico de Tentúgal (IIP)

Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Velho (IIP)

Praia fluvial de Ereira

Convento de Almiara / Mosteiro de Verride

Panorama da Capela de Verride 

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05-07-07

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Locais Notáveis do Concelho de Oliveira do Hospital

Panorama do Monte Colcorinho (Capela da Nossa Senhora das Necessidades) (***)

Igreja matriz  de São Pedro de Lourosa (MN) (**)

Ruínas romanas da Bobadela (MN) (**)

Capela dos Ferreiros, anexa à Igreja matriz de Oliveira do Hospital (MN) (*)

Santuário da Nossa Senhora das Preces em Aldeia das Dez (*)

Vales dos rios Alva e Alvôco (*)

Vila Histórica de Avô (onde se inclui o panorama das Varandas de Avô) (IIP) (*)

Lagaretas da Sobreda (*)

Estalagem de Santa Bárbara na Póvoa de S. Cosme  (IIP) (*)

Ponte Medieval de Alvôco das Varzeas (IIP) (*)

Palheiras de Fiais da Beira (*)

Anta da Arcaínha (IIP) (Seixo da Beira) (*)

Outros locais com interesse turístico

Igreja de Travanca de Lagos (IIP)

Penedo dos Três Pezinhos

Igreja paroquial de Santo André do Ervedal da Beira

Solar dos Viscondes do Ervedal da Beira (IIP)

Ponte Românica em Vale de Negros (Ervedal da Beira)

Panorama da capela da Nossa Senhora da Boa Viagem no Ervedal da Beira

Castro do Vieiro

Aldeia abandonada do Vieiro

Anta da Cavada (Fiais da Beira)

Casa dos Mouros/Casa do Penedo (VC) (Nogueira do Cravo)

Tileira classificada no Adro da Igreja matriz de Oliveira do Hospital

Parque do Mandanelho em Oliveira do Hospital

Senhor das Almas

Casa Museu Cabral Metelo em Oliveira do Hospital

Pousada do Convento do Desagravo (Vila Pouca da Beira)

Panorama da estrada Ponte das Três Entradas-Aldeia das Dez

Anta do Pinheiro dos Abraços (IIP) (Bobadela)

Igreja Paroquial de São Gião

Anta de Curral dos Mouros (IIP) (Sobreda)

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03-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(2ªParte)- (**)

O topónimo do local está relacionado com a lenda da criança salva pelo demónio por Santo Amador, que ali se refugiava do mundo, e que a amamentou com leite de corça quatro vezes ao dia.

Na tradição popular, São Pedro é transformado em eremita. Assim se compreende que uma das mais lindas ermidas, numa das mais lindas paisagens, seja dedicada a São Pedro. Será São Pedro o Santo Amador?

A corça é consagrada a Diana (Artémis grega), a rainha dos bosques, que percorre todos os recantos dos prados, montes e vales. Diana era cultuada em templos rústicos nas florestas, como este, onde os caçadores lhe ofereciam sacrifícios.

Também associo Flidias ao local,  a Deusa celta da Sensualidade e Senhora das Florestas- portanto sua protectora. Um dos símbolos dos seus é a...corça.

Além de sua graça e beleza, a corça simboliza a virgindade e pureza. Flidias tinha também como símbolos, a erva, as árvores e as nascentes, possuía ainda uma vaca (?) mágica cujo leite era capaz de alimentar diariamente centenas de guerreiros durante as guerras celtas.

Vem-me ainda à memória Sertório, que se fazia acompanhar por uma corça branca que lhe segredava instruções militares. Se trocarmos as palavras temos: Corça vira São Pedro, ou seja o culto da Corça vira o culto de São Pedro- mera divagação de Paulo Loução?   

Desculpe-me o leitor mais erudito na minha tentativa vã de estabelecer nexos onde eles provavelmente não existem, mas é para aqui que dá a minha imaginação e quando escrevo não posso deixar de ser eu. 

Se do culto das pedras (loca sacra) já falamos, resta falar do culto da água. Existia no local uma nascente de água termal, a que a tradição atribui propriedades milagrosas, desapareceram (?) com o terramoto de 1755, o que nos leva a pensar em importante fractura geológica activa! Mas paremos de especular que da geologia de Monsanto pouco sei; certo, certo é que por aqui também ocorreu o culto da água medicinal. Tenho que tentar vislumbrar nas rochas (pedras?) resquícios desta mítica e desaparecida fonte e, se tal for possível, indagar as suas características.    

Espaço estranho, é aquela clareira, rodeada por fraguedo granítico, onde se entra por átrio monumental, no centro restos de fogueira, cruzes, ramos de maias entrelaçadas, lembro que São Pedro de Vir-a-Corça é hoje visitado por “druidas” modernos, que vem de todo o mundo, á procura da litoratria e da hidrolatria (ignorada), em comunhão com o recém (!) espaço cristão. Sentado no solo da clareira à espera que por detrás de um penhasco apareça Diana, também me contentava com Flídias.

Este espaço, com os sons da natureza, o verde, Diana, Flídias, o gigantesco caos de blocos, a capela românica, as estranhas tinas, tafonis, e o sombreado do maravilhosos chaparral, convida-nos à introspecção e para os crentes no além, em sentido lato, numa experiência religiosa única.

Termino com a frase de Maria Adelaide Neto Salvado.

Em São Pedro de Vir-a-Corça perdura, dum modo diríamos palpável, o espírito do lugar, o geniu loci, que conferiu a este lugar a particularidade de Santuário, pois aí se respira hoje, muito densamente, esse sentimento do Sagrado.”

PEREIRA, Paulo – Enigmas Lugares Mágicos de Portugal. Templários e Templarismo. Vol V III , Círculo de Leitores, 2005.

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01-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(1ª Parte)-(**)

No sopé da encosta escarpada sobre a qual se ergue a Aldeia Histórica de Monsanto (***) encontra-se a Ermida de São Pedro de Vir/Ver-a-Corça, completamente isolada num bosque de sobreiros e rodeada por colossos blocos graníticos dispostos caoticamente -terá aqui o caos uma razão para existir? Fico a aguardar a sua resposta!

Poderíamos incluir o local como fazendo parte do conjunto histórico, “mistérico” e de beleza impar que é o Mons Sanctus - uma das mais belas aldeias europeias. Mas a aldeia está lá em cima, erguida no topo de uma imponente inselberge granítico com 758 metros de altitude, que declina em escarpa abrupta em cerca de 300 m para o lugar que agora visitamos; e eu estou cá em baixo, a olhar embevecido para esta impressionante fortaleza medieval, que daqui, parece uma construção mágica associada aos gigantes dos romances de cavalaria.

O lugar é esplêndido, marcado pela arquitectura rude e singela, mas inesperada, daquela capela românica, pelo bosque sublime e também pelas enormes fragas boleadas que ampliam a monumentalidade do lugar e a fusão entre a natureza e o sagrado.

A igreja, que se constitui desde cedo como local de romaria e de feira, pelo menos desde os finais do século XIII (Dom Dinis concede carta de feira em 1308, consagrando provavelmente um uso existente), foi fundada entre os séculos XII e XIII de veneração associada ao São Pedro. Em 1613 constituir-se-á mesmo uma irmandade de São Pedro. Possui planta rectangular, com três naves definidas por quatro colunas jónicas, duas de cada lado e com abside e absidíolos rectangulares, denunciados volumetricamente pelo exterior.

Na fachada uma  rosácea emoldurada por motivos geométricos com quadrifólio central e 8 arcos trilobados radiais. A norte, encostada a capela, existem sepulturas medievais cavadas na rocha.

A torre sineira defronte, em arco de volta perfeita, sobrepuja-se a grande bola granítica. Ao lado, numa reentrância erosiva, aponta-se o local de uma gruta eremítica. Por cima grandes tanques, que poderão ser lagaretas ou tanques de ablução a deuses pré-históricos.

Alguns destes pios espalham-se pelos afloramentos, alguns isolados outros conjugados, em depressões circulares ou poligonais decimétricas de origem antropormófica, alguns com cruzes gravadas (a posterior sacralização objecto pagão?); outros são claros tafonis, que poderão ter tido utilização.

Podermos estar em presença de algo semelhante ao santuário de Panóias (***)? Ou serão simples tanques (reu)tilizados de apoio à feria medieval?

Quantidades imensas de cerâmica comum, prendem-se aos nossos pés arrastados, prováveis resto de utensílios usados para transporte dos produtos dos feirantes.

Em muitos casos, este geólogo, não destrinça aquilo que foi feito por mão humana daquilo que foi operado pelo alargamento natural de fracturas pela água, o “nosso” grande escultor!

Apetece-me brincar aos ermitas, esconder-me nestes estreitos antros naturais (alguns afeiçoados) como o nosso anacoreta Amador, e ficar aqui para sempre afastados da espuma dos dias de hoje (Continua).

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11-06-07

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Termas da Fonte Santa (*) (Almeida)

Perto de Almeida, na margem direita do selvático rio Côa, numa paisagem de penedia granítica e solos incultos, existe uma nascente de água minero-medicinal de grande qualidade; devido ao seu grande poder curativo e até “milagroso”, no sentir do povo, este designou-a por Fonte Santa.

A emergência já era referida em texto do século XVIII; “usam dela os moradores para sarnas, comichões, pruridos, chagas rebeldes e corrosivas, assim tomando banhos, como lavando com ella as partes exulceradas ou pruiginosas…) e por isto útil para os que padecem de afectos hipocondriacos, flatos melâncolicos e queixas rufriticas”.

Apesar de fracamente mineralizada, a agua é fria (19ºC), bicarbonatada sódica sulfúrea, sendo recomendada para o tratamento de problemas articulares, laringites, bronquites, sinusites e acessoriamente actua como cicatrizante, desintoxicante e estimula de uma maneira geral o nosso metabolismo (confirmação em fase de testes).

Foram pela primeira vez registadas pelo médico do Reino dos Hospitais Militares da Praça, General Perdigão em 1905; actualmente pertencem a Câmara Municipal que felizmente, decidiu requalifica-las e coloca-las ao dispor de uma maior número de utentes (no ano de 2006 fizeram tratamentos no local cerca de 1000 pessoas). Para substituir o complexo pré-fabricado, está em construção um novo edifício termal que será um magnífico espaço, confortável e de grande qualidade arquitectónica; em 2008 as termas já deverão estar a funcionar em pleno.

As águas brotam de fracturas graníticas, sendo actualmente captadas de um furo com uma profundidade de 19 metros.

O local é aprazível, selvagem e agreste com o rio Côa ainda mediano, mas compulsivo e ruidoso. Mesmo que o leitor não padeça de nenhuma das enfermidades indicadas o local merece a sua visita.

Será uma oportunidade para Almeida se valorizar e ao aumentar o seu afluxo turistíco-para isso será também necessário o investimento de privados em instalações hoteleiras, tendo em conta o mercado espanhol.   

O local é aprazível, selvagem e agreste, com o rio Côa ainda mediano, mas compulsivo e estridente. Mesmo que o leitor não padeça de nenhuma das enfermidades indicadas o local merece a sua visita.

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JARDIM BOTÂNICO (***) DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Até que enfim!... 

Tomei conhecimento, através da Imprensa, que foram aprovados em Abril passado, pelo Senado Universitário de Coimbra, os estatutos da Fundação Universidade de Coimbra, que vai gerir algumas estruturas (não propriamente docentes) da Universidade, como são, por exemplo, o Estádio Universitário e o Teatro Académico de Gil Vicente. A mesma notícia refere ainda que, provavelmente, a dita Fundação virá a assegurar a gestão de outras estruturas universitárias como, por exemplo, o Jardim Botânico. ATÉ QUE ENFIM!...
Há muito que tenho vindo a referir à presidente do Conselho Executivo do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia (F.C.T.) da Universidade de Coimbra, professora doutora Helena Freitas, que a melhor solução para os gravíssimos problemas, particularmente orçamentais e funcionais, que assolam o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, seria a criação de uma Fundação, pois, assim, a gestão do jardim seria automatizada e não dependente do ratio discentes/docentes, como é actualmente. Com o orçamento actual do Departamento de Botânica, que inclui o Jardim Botânico, e com o número de jardineiros actuais (meia dúzia, quando já foram cinquenta, durante a minha vivência profissional no Departamento), é impossível manter o jardim aberto ao público. Por isso, quando a professora Helena Freitas solicitou a minha opinião sobre a pretensão do Conselho Executivo encerrar o jardim ao público aos fins-de-semana, eu considerei que o deviam encerrar ao público todos os dias.
Um jardim botânico não é um jardim destinado ao lazer, ao “promenade” (desculpem-me o galicismo, mas é a palavra aplicável aqui) e à opulência (como alguns que conheço), como, aliás, já o Marquês de Pombal referiu em 1773, numa carta (5 de Outubro) que dirigiu ao, então, Reitor da Universidade de Coimbra (Francisco de Lemos) a propósito do projecto para o jardim botânico delineado por Domenico Vandelli (1735-1816) e Giovanni Antonio Della-Bella (1730-1823) e que transcrevemos na íntegra, pois é um documento extremamente elucidativo:
“Reservei até agora a resposta sobre a planta que esses professores delinearam para o jardim botanico, porque julguei preciso precaver a v. ex.ª mais particularmente sobre esta matéria.
Os dictos professores são italianos: e a gente d’esta nação, costumada a ver deitar para o ar centenas de mil cruzados de Portugal em Roma, e cheia d’este enthusiasmo, julga que tudo o que não é excessivamente custoso não é digno do nome portuguez ou do seu nome d’elles.
D’aqui veio que, ideando elles nesta corte, junto ao palacio real de Nossa Senhora da Ajuda, em pequeno espaço de terra, um jardim de plantas para a curiosidade, quando eu menos o esperava, achei mais de cem mil cruzados de despesa tão exorbitante como inutil.
Com esta mesma idéa talharam pelas medidas da sua vasta phantasia o dilatado espaço que se acha descripto na referida planta. O qual vi que, sendo edificado á imitação do pequeno recinto do outro jardim botanico, de que acima fallo, absorveria os meios pecuniarios da Universidade antes de concluir-se.
Eu, porém, entendo até agora, e entenderei sempre, que as cousas não são boas porque são muito custosas e magnificas, mas sim e tão sómente porque são próprias e adequadas para o uso que d’ellas se deve fazer.
Isto, que a razão me dictou, sempre vi praticado especialmente nos jardins botanicos das Universidades de Inglaterra, Hollanda e Allemanha; e me consta que o mesmo succede no de Parma, porque nenhum d’estes foi feito com dinheiro portuguez. Todos estes jardins são reduzidos a pequeno recinto cercado de muros, com as commodidades indispensáveis para um certo numero de hervas medicinaes e proprias para o uso da faculdade medica; sem se excedesse d’ellas a comprehender outras hervas, arbustos, e ainda arvores das diversas partes do mundo, em que se tem derramado a curiosidade, já vistosa e transcendente, dos sequazes de Linneu, que hoje têm arruinado as suas casas para mostrarem o malmequer da Persia, uma açucena da Turquia, e uma geração e propagação de aloes com differentes appelidos, que os fazem pomposos.
Debaixo d’estas regulares medidas deve, pois, v. ex.ª fazer delinear outro plano, reduzido sómente ao numero de hervas medicinaes que são indispensáveis para os exercicios botanicos, e necessarias para se darem aos estudantes as instrucções precisas para que não ignorem esta parte da medicina, como se está praticando nas outras Universidades acima referidas com bem pouca despesa: deixando-se para outro tempo o que pertence ao luxo botanico, que actualmente grassa em toda a Europa. E para tirar toda a duvida, pode v. ex.ª determinar logo, por sua parte, que Sua Magestade não quer jardim maior, nem mais sumptuoso, que o de Chelsea na cidade de Londres, que é a mais opulenta da Europa; e pela outra parte, que debaixo d’esta idéa se demarque o logar; se faça a planta d’elle com toda a especificação das suas partes; e que se calcule por um justo orçamento o que há de custar o tal jardim de estudo de rapazes, e não de ostentação de príncipes, ou de particulares, d’aquelles extravagantes e opulentos, que estão arruinando grandes casas na cultura de bredos, beldroegas, e poejos da Índia, da China e da Arabia.”
Depois de aprovado o novo projecto, em 1774, o Marquês de Pombal enviou a Coimbra o jardineiro do Real Jardim da Ajuda (Lisboa), Julio Mattiazi, como responsável pelo cultivo das plantas no jardim botânico. As primeiras plantas vieram do Real Jardim da Ajuda, tendo sido enviadas para Coimbra por via marítima e acompanhadas por João Rodrigues Vilar, que foi o primeiro jardineiro do Jardim Botânico de Coimbra.
Iniciou-se, assim, a relevante fitodiversidade do Jardim Botânico de Coimbra, que implicou, por razões óbvias, um enriquecimento em zoodiversidade não só na área do jardim, como também em toda a zona circundante.
O Jardim Botânico ocupa uma vasta área (±13,5 ha.) do Vale das Ursulinas, onde corre um pequeno regato que nasce em Celas, e é constituído por duas zonas fundamentais: uma, na parte superior do vale, ajardinada (parte pública) e outra na parte inferior do vale, mais arborizada (a Mata).
A primeira, a área mais formal do jardim, é constituída por alguns terraços em socalco. No socalco inferior está o designado “Quadrado Grande”, que constitui a parte mais primitiva do jardim. Aqui, existem três relevantes árvores que datam dos primórdios do jardim, em que Brotero foi director (1791-1811). São o abeto-da-china (Cunninghamia lanceolata), o cedro-do-japão (Cryptomeria japonica) e uma eritrina (Erythrina crista-galli). Estão ainda em óptimo estado e, por isso, constituem um valiosíssimo património biológico da Universidade. Porém, caiu, em 2000, a árvore que eu considerava a mais antiga do Botânico, a Cupressus macrocarpa, originária da Baía de Monterey (Califórnia), que se encontrava em frente ao refeitório. Esse cipreste-de-monterey talvez tivesse sido plantado antes da fundação do jardim botânico, pelos frades que viviam no convento, onde actualmente está o Instituto Botânico e o Instituto de Antropologia.
A maioria das árvores mais antigas e de grande porte foram plantadas entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, durante a direcção de Júlio Henriques (1873-1918). As árvores que atingem grande altura, mas que se situam na parte pública do jardim, isto é, fora da Mata, não atingem idades consideráveis, pois acabam por morrer electrocutadas por funcionarem como pára-raios. Actualmente, a árvore mais alta do Botânico talvez seja um exemplar de Araucaria rulei F. Muell. ex Lindl., próxima do portão da rua Vandelli, com mais de 50 metros de altura, logo seguida de um alto eucalipto (ca. 50 m), que é a árvore de maior biomassa do jardim (Eucalyptus obliqua), ao lado das escadas que dão para o portão do Seminário e, do outro lado destas escadas, está um outro extraordinário exemplar de eucalipto (Eucalyptus viminalis); outro enorme eucalipto (Eucalyptus cornuta) está no canto junto à confluência da Alameda Júlio Henriques com os Arcos do Jardim e, muito próximo deste, o eucalipto de maior diâmetro do Jardim (Eucalyptus globulus); e, igualmente referenciáveis, são os altos, belíssimos e odoríficos (cheiro a limonete) eucaliptos de casca cinzenta (Eucalyptus citriodora).
Além deste património vegetal, no Jardim Botânico de Coimbra habitam muitos animais, como os esquilos europeus (Sciurus vulgaris), toupeiras (Talpa europaea), morcegos, pequenos roedores, tendo já sido vista uma raposa (Vulpes vulpes), uma doninha (Mustela nivalis), coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus) e muitas aves. Das cerca de quatro dezenas de aves assinaladas, umas são sedentárias, outras invernantes e algumas nidificantes. Algumas das aves que habitam o jardim botânico são espécies raras e protegidas, como as rapinas nocturnas [bufo-real (Bubo bubo); coruja-do-mato (Strix aluco); coruja-das-torres (Tyto alba)], a rapina diurna [milhafre-preto (Milvus migrans)], o pombo-torcaz (Columba palumbus); o guarda-rios (Alcedo athis).; o gaio (Garrulus glandarius); o bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes) e, para finalizar, o raríssimo dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), tendo já sido vistas, nos viveiros, perdizes (Alectoris rufa).
Claro que também há anfíbios (rãs, sapos e salamandras) e répteis (lagartos e cobras).
Além de toda esta biodiversidade, há a biodiversidade “inconspícua” (invisível), como os invertebrados. Um exemplo disso, foi a descoberta recente (2005-2006) de espécies novas para a ciência de aracnídeos, algumas ainda não publicadas (Nemesia bacelarae; Malthonica oceanica; Sintula iberica; Harpactea sp. nov.).
Manancial de biodiversidade
O Jardim Botânico de Coimbra, como grande parte dos jardins botânicos (cerca de 2.500) é um manancial de biodiversidade (vital para a nossa espécie), uma enorme “fábrica” de biomassa (fotossíntese), com um elevado contributo na despoluição ambiental (consumo de CO2 pela fotossíntese) e excepcional purificador do ar (pelo enorme volume de O2 produzido pela fotossíntese). Além disso, o Jardim Botânico de Coimbra faz parte da rede internacional de Jardins Botânicos (Botanic Garden Conservation International – BGCI), onde se estima que existem cerca de 100.000 espécies de plantas vivas, algumas em vias de extinção, e cerca de 250.000 preservadas em Bancos de Sementes. Estes jardins botânicos são, pois, extraordinárias reservas de biodiversidade e relevantes recursos para a respectiva conservação. Por outro lado, nos jardins botânicos faz-se investigação científica, fundamentalmente aplicada, e educação ambiental abrangente (não tradicional), com dimensão ecológica, económica, cultural e social. Um jardim botânico não é, pois, um jardim qualquer. É um Monumento Nacional e é uma Reserva de Biodiversidade em risco e um Laboratório de Propagação e Preservação da Biodiversidade.
Jorge Paiva - Biólogo

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27-04-07

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Conjunto patrimonial e paisagístico da Cidadela de Penamacor (*)

Há suficientes memórias que podem levar o visitante que atravessa a zona raiana a deter-se em Penamacor. No cimo da vila, onde Gualdim Pais, mítico mestre templário, mandou levantar o castelo, depois de conquistada a povoação aos mouros por D. Sancho I, deve ter habitado gente sempre espreitando inimigos possíveis e imaginários. De certeza que defendeu a incerta fronteira portuguesa contra castelhanos e mouros e que desempenhava papel primordial no sistema defensivo da beira Baixa, tentadora linha penetradora, mas desencorajante pelas possantes fortalezas que a ocupavam os mais apropriados cumes. Porém Penamacor já era habitada anteriormente como provam os machados de pedra polida aqui descobertos e que lembram que o homem habita o morro do castelo desde o Neolítico. Durante a Idade do Ferro e do Bronze foi fortificado como castro, e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia. Daqueles tempos provém o espólio da secção de arqueologia do Museu Municipal de Penamacor, composto por machados do Neolítico, mós proto-históricas e lápides epígrafadas.

No tempo de rei Venturoso, reforçam-se defesas, e o estilo manuelino é visível na Capela da Misericórdia com o seu belíssimo portal e no pelourinho (1565); no interior da desmantelada cidadela, de onde a onde, podem ver-se sinais decorativos neste estilo, nos portais e janelas casario, por vezes com sinais de cristãos convertidos nos seus umbrais. Mas deste tempo o que mais fica retido é o símbolo de Penamacor- a sua monumental bela Torre de Vigia com o seus 20 metros de altura.

No século XVII, para defesa da pátria restaurada, constroem-se 6 baluartes e três meio-baluartes, segundo as exigências da pirobalística. Pode-se observar-se um junto da antiga Casa da Câmara; sob este edifício (1568) abre-se uma bem conservada porta gótica da muralha. Depois de entrar repare no seu balcão, sobre a porta de lintel recto encimado pelas armas nacionais ladeadas de esferas armilares -é agora o bem apetrechado posto de turismo.

Destaco ainda na cidadela ovalada, a robusta e bem restaurada Torre do Relógio, que parece ter sido torre de menagem, trechos de muralhas, ruínas de baluartes, a igreja de São Pedro, de fundação românica, os alicerces da Igreja de Santa Maria e a cisterna do Castelo.

Bela é também a paisagem, principalmente em dias límpidos, de onde se avista largo horizonte, com destaque para as planálticas regiões castelhanas, a Serra da Malcata, a serrilhada crista quartzítica de Penha Garcia (*), os montes ilhas, onde num deles se acavalita a mais bela aldeia de Portugal- falamos é claro, de Monsanto(****); pressentem-se ainda as invisíveis searas espraiadas nas campinas de Idanha.

E agora uma história que daria um reflexivo romance e que aconteceu em Penamacor  E que por ter sido o primeiro-poderá ser umas das origens primaciais do sebastianismo.

Em 1584 aqui apareceu o aventureiro conhecido pelo rei de Penamacor, que por ingenuidade do povo e ambição de dois cúmplices que se intitulavam, um bispo da Guarda, outro Cristóvão Távora, se fez passar por Dom Sebastião. Conseguindo atrair as populações simples desta região, à sua figura misteriosa, falando árabe e contando histórias da batalha em que se perdera o rei, o falso Dom Sebastião andava a cavalo seguido de grandes cortejos de crentes e curiosos. A princípio, timidamente, depois com a audácia de uma convicção, o rei de Penamacor aceitava as honras e títulos de majestade, tendo chegado a construir um conselho de estado na sua corte. Chegando até Lisboa o rumor da sua aclamação, aí foi levado o embusteiro. Os dois ministros foram condenados ao cadafalso e o rei mandado para as galés. Encontrando-se como remador na Invencível Armada, liberta-se dos ferros, salta na costa de França e nunca mais foi visto nem achado o célebre aventureiro1. Os seus companheiros de aventura foram condenados à morte.

Não poderíamos terminar este texto, sem referir que entre os muros desta cidadela cresceu o cristão-novo Ribeiro Sanches (1699-1783), ilustre em toda a Europa culta, foi um dos inspiradores do Marques de Pombal nas reformas de ensino; filósofo e médico na corte czarina foi um dos percursores do espírito iluminista europeu que ainda hoje e bem nos alumia.

Fonte de Informação: Lugares a Visitar em Portugal- Selecção do Reader´s Digest, 2001; Guia de Portugal- Beira II- Beira Baixa e Beira Alta 1. Os Mais Belos Castelos de Portugal de Júlio Gil e Augusto Cabrita. 

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13-04-07

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Locais Notáveis de Idanha-a-Nova e Penamacor

Aldeia Histórica de Monsanto (MN) (****)

Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (MN) (**)

Crista quartzítica com fósseis icnológico em Penha Garcia (*)

Águas minero-medicinais de Monfortinho (*)

Conjunto patrimonial e paisagístico do alto de Penamacor (IIP) (*)

Reserva Natural da Serra da Malcata (*) (abrange o Concelho de Sabugal)

Outros Locais com Interesse turístico:

Parque Natural do Tejo Internacional (ler  como local notável em Vila Velha de Ródão)

Vale fértil da Ribeira da Meimoa

Ponte Romana da Meimoa

Canhões fluviais do rio Erges

Panorama do que resta do  Castelo de Idanha-a-Nova 

Senhora do Almortão

Museu Municipal de Penamacor

Igreja e Convento de Santo António em Penamacor

Termas da Fonte Santa em Águas

Panorama da estrada para Meimão

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11-04-07

FEC

7 Medidas para melhorar o afluxo turístico em Freixo de Espada-à-Cinta

1- Reforçar acções promocionais das belezas locais, em feiras, eventos da especialidade e em grandes espaços comerciais das grandes cidades de Península Ibérica. Apostar ainda fortemente no mercado espanhol.

2- Salvaguardar e divulgar as pinturas rupestres (Fonte Santa, Cavalo de Mazouco e da Calçada de Alpajares).

3- Melhorar a notoriedade do passeio turístico fluvial do Douro entre as Barragens de Saucelhe e Aldeadavilla (é um dos mais extraordinários percursos turísticos fluviais da Europa).

4- Investir fortemente na Internet divulgando por vários meios os Locais Notáveis do Concelho.

5- Restaurar o centro histórico manuelino de Freixo de Espada-à-Cinta utilizando as verbas do QREN.

6- Aumentar o cultivo das culturas tradicionais (amendoeira, vinha e olival) para aumentar a beleza agrícola e os recursos da região.

7- Estudar as águas minero-medicianis da Fonte Santa tendo em conta a sua qualificação.

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